O Mali vive um momento de instabilidade severa após ataques coordenados atingirem cinco cidades estratégicas no último fim de semana. As ações, que visaram locais como Kati, Bamako, Sevare, Gao e Kidal, foram reivindicadas pelo grupo extremista JNIM, ligado à Al-Qaeda, em colaboração com rebeldes tuaregues da Frente de Libertação de Azawad.

O que você precisa saber
- O ministro dadefesa, Sadio Camara, foi morto em um atentado suicida com carro-bomba em Kati.
- A ofensiva revela uma falha crítica na inteligência militar maliana e o fortalecimento de grupos insurgentes.
- A instabilidade ameaça asegurançaregional e expõe a fragilidade da aliança militar entre países do Sahel.
Ataque ao centro do poder militar
O assassinato de Sadio Camara, figura central da junta militar e responsável pela aproximação com a Rússia, marca uma escalada no conflito. O ataque ocorreu próximo à residência do ministro em Kati, centro do poder militar e sede do governo de transição. O alvo foi escolhido pelo seu simbolismo político e pela liderança na articulação de parcerias com tropas russas.
Recuo das forças russas em Kidal
Em Kidal, reduto dos rebeldes tuaregues, a situação sofreu uma reviravolta. O Africa Corps, sucessor do Grupo Wagner, confirmou a retirada de suas tropas após combates intensos. A presença russa no país é limitada, com um contingente estimado entre **600 e 1.000 combatentes**, o que restringe a capacidade de resposta do governo frente à insurgência.
Colaboração entre grupos rivais
A coordenação entre jihadistas e rebeldes tuaregues surpreendeu observadores internacionais. A aliança é motivada por um inimigo comum, embora não haja indícios de que os rebeldes possuam capacidade ou intenção de administrar grandes centros urbanos como Bamako. O governo mantém um **toque de recolher noturno de 72 horas** na capital para conter a crise.
Fragilidade da Aliança de Estados do Sahel
A Aliança de Estados do Sahel, composta por Mali, Burkina Faso e Níger, classificou os eventos como um complô contra a libertação da região. Contudo, a falta de auxílio militar concreto entre os membros levanta dúvidas sobre a eficácia do bloco. Enquanto órgãos internacionais condenam a violência, o governo maliano tenta retomar o controle de postos de segurança estratégicos com apoio aéreo limitado.
Fonte: Dw