O presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou um pedido ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública seja levada a votação. O texto, que obteve aprovação na Câmara dos Deputados, está sem tramitação na Casa Alta há dois meses.
Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta-feira (22), o presidente declarou que, caso o Congresso aprove o texto, o governo federal instituirá em 15 dias um ministério específico para a pasta. Lula argumentou que o governo precisa ampliar sua coordenação nacional, pontuando que a gestão atual, concentrada nos estados, não tem sido eficiente diante da expansão de facções criminosas.
Governo enfrenta resistência de governadores e atrito com Alcolumbre
Lula pontuou que o projeto encontra entraves políticos, especialmente entre governadores preocupados com a autonomia das polícias estaduais. “A polícia é um pedaço de poder que nenhum governador quer abrir mão”, disse o presidente. Além desse desgaste, o Planalto convive com um cenário de tensão com Alcolumbre, acentuado pela recente rejeição de indicações ao STF e pela derrubada de vetos presidenciais.
Relatos de bastidores indicam que integrantes da base governista percebem que o presidente do Senado não possui planos de pautar a matéria no curto prazo. Essa resistência obriga a articulação política do Palácio do Planalto a intensificar negociações para tentar uma reaproximação com o parlamentar.
Programa Brasil contra o Crime Organizado destina R$ 11 bilhões
Para alavancar sua agenda, o Executivo lançou o programa Brasil contra o Crime Organizado, que prevê investimentos de **R$ 11 bilhões** entre recursos federais e linhas de crédito para estados e municípios. A iniciativa tem como foco o combate ao tráfico de armas, a estruturação do sistema prisional e a asfixia financeira de grupos criminosos.
A segurança pública consolidou-se como um dos temas decisivos para as eleições de outubro. Enquanto o governo tenta avançar com sua proposta, pré-candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) utilizam o setor como base de críticas à atual gestão. Dados apontam que a violência é a principal preocupação da população, um fator que influencia a disputa eleitoral onde o tema da segurança ganha contornos de prioridade nacional.
Fonte: Globo