A Latam Brasil anunciou uma redução de aproximadamente 3% em sua oferta de voos planejada para o mês de julho. A medida, que repete um ajuste já realizado em junho, é uma resposta direta ao aumento dos custos com combustível, pressionado pelo conflito no Irã que impacta o mercado global de energia.
Em entrevista realizada durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo, no Rio de Janeiro, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, explicou que a companhia segue prevendo crescimento em relação a 2025, porém em um ritmo mais contido. A expectativa inicial de ampliar a capacidade em 11% será mantida, mas com uma expansão menos acelerada do que o projetado originalmente.
Custos com combustível pressionam aéreas
O cenário de incerteza e custos elevados tem levado outras empresas do setor a adotar estratégias semelhantes. O presidente-executivo da Azul, John Rodgerson, afirmou que a companhia continuará reduzindo voos para preservar o caixa, alinhando a capacidade à demanda atual. O querosene de aviação, insumo que representa cerca de 45% do custo operacional das empresas aéreas segundo a Abear, tem sofrido forte pressão inflacionária.
Embora a Petrobras tenha anunciado uma redução de 14,2% no preço médio de venda do combustível para distribuidoras no início de junho, o impacto da guerra no Oriente Médio continua a afetar as tarifas. Segundo Cadier, os preços das passagens no mercado brasileiro registraram alta entre 20% e 30%. O executivo ressaltou que esse aumento demora a ser percebido nos resultados financeiros, uma vez que parte dos bilhetes foi comercializada antes do agravamento do conflito.
Latam mantém entrega de aeronaves
Apesar do ambiente volátil, a Latam mantém o plano de receber 12 aeronaves Embraer E195-E2 ainda este ano, com outras 12 previstas para 2027. A divulgação dos destinos que receberão essas novas unidades foi adiada. Segundo a companhia, a decisão de ser mais conservadora na alocação de capacidade e na definição de novas rotas reflete a cautela necessária diante da instabilidade econômica global.
A tendência de ajustes operacionais deve se estender ao longo do terceiro trimestre, enquanto as companhias aéreas buscam mitigar os efeitos da volatilidade nos preços dos combustíveis.
Fonte: G1