O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defende a operação de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), realizada durante sua gestão como secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. A transação, que incluiu o repasse do cartão consignado CredCesta ao Banco Master, é um dos pontos centrais da 9ª fase da Operação compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
Ebal gerava prejuízo anual de R$ 80 milhões
Em discurso no Senado, Wagner classificou a antiga rede de supermercados estatal como uma “excrescência” que gerava prejuízos anuais de aproximadamente R$ 80 milhões. Segundo o parlamentar, a privatização seguiu preceitos liberais para sanear as contas públicas. O ex-governador Rui Costa, também envolvido no período, reforçou que a inclusão do CredCesta no pacote de venda foi determinante para viabilizar o negócio, que não encontrou interessados nos leilões anteriores.
Investigação apura repasses e vínculos com Banco Master
A operação de venda da Ebal, vencida pela empresa NGV, é alvo de apurações sobre possíveis fraudes e vínculos entre o Banco Master e agentes políticos. Documentos da investigação apontam que o advogado Daniel Monteiro, associado ao núcleo do Banco Master, atuou nas tratativas da privatização. Além disso, a PKL One Participações, ligada a Augusto Lima — ex-sócio de Daniel Vorcaro e responsável por levar o CredCesta ao Master —, teria transferido R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, empresa da filha de Jaques Wagner.
A investigação também apura a suposta entrega de um imóvel, o apartamento Poème Horto, por Augusto Lima ao senador. Decisões judiciais indicam que, após o início da Operação Compliance Zero, houve tentativas de reorganização jurídica do imóvel, o que, segundo as autoridades, representa risco de interferência nas provas.
Wagner critica gestão do Banco Central
Durante sua fala no Senado, Wagner negou irregularidades e buscou associar o escândalo do Banco Master à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador criticou a atuação do Banco Central sob a presidência de Roberto Campos Neto, argumentando que a instituição não teria tomado medidas corretivas eficazes contra o banco, apesar de identificar problemas operacionais. Wagner também refutou acusações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificando-as como uma tentativa de desviar o foco de diálogos entre o parlamentar e Daniel Vorcaro.
Fonte: Estadão