Senador Jaques Wagner durante sessão no Senado Federal. Senador Jaques Wagner durante sessão no Senado Federal.

Jaques Wagner recebe ingressos de R$ 63 mil para show em Los Angeles

Senador Jaques Wagner é alvo de investigação da PF após receber ingressos de show nos EUA avaliados em R$ 63 mil, segundo documentos do Supremo.

A Polícia Federal aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, recebeu cinco ingressos de camarote para um show internacional realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos, no ano de 2023. De acordo com a investigação, os bilhetes foram adquiridos por orientação de Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master, pelo valor total de **R$ 63.339**.

A corporação afirma que as entradas foram destinadas a familiares do parlamentar, embora não esteja claro se Wagner foi um dos beneficiados. A informação consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou busca e apreensão em endereços ligados ao senador nesta quinta-feira (18). A PF investiga uma suposta relação ilícita entre o parlamentar e pessoas ligadas à instituição financeira.

Conforme os autos da decisão judicial, Augusto Ferreira Lima orientou sua secretária, em junho de 2023, a providenciar as entradas. A compra foi realizada pela empresa REAG Investimentos S.A., após tratativas que envolveram também João Carlos Mansur. Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que ele “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

Troca de mensagens detalha solicitação de bilhetes VIP

Registros analisados pela PF mostram que, em 23 de novembro de 2023, Wagner questionou Augusto sobre os “ingressos de sábado”, referindo-se a um evento que ocorreria no dia 25 daquele mês na Califórnia. Em resposta, o senador recebeu os arquivos dos bilhetes digitais. Posteriormente, o parlamentar solicitou que o número de entradas fosse ampliado para cinco pessoas, ao que Augusto respondeu: “Pronto amigo. Seguem os outros dois”.

A Polícia Federal cita o episódio como exemplo da proximidade entre Wagner e Augusto Ferreira Lima. A investigação também aponta outras supostas vantagens recebidas pelo senador, como o uso de aeronaves privadas e negociações relacionadas à aquisição de um apartamento em Salvador. O caso integra a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Investigação liga Banco Master a interesses privados

A conexão entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima consolidou-se através dos negócios do Banco Master. Lima levou ao grupo a operação do CredCesta, cartão consignado voltado a servidores públicos da Bahia. Segundo as autoridades, Vorcaro recorreu a Lima em momentos de crise, incluindo denúncias sobre aportes suspeitos envolvendo o Rioprevidência.

Documentos indicam que a relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima seria antiga e marcada por confiança. “A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, destaca a decisão.

A apuração baseia-se em um amplo conjunto de provas digitais. “A investigação reúne mensagens, áudios, ligações telefônicas, contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de empresas, planilhas de pagamentos e dados extraídos de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero”, detalha o documento.

Senador Jaques Wagner em sessão oficial no Senado Federal
Senador Jaques Wagner é um dos alvos da operação da Polícia Federal.

Fonte: G1