Equipamentos militares e tecnologia de defesa em exposição. Equipamentos militares e tecnologia de defesa em exposição.

Indústria de defesa de Portugal fatura €2,1 bilhões em 2024

A indústria de defesa de Portugal alcançou faturamento de €2,1 bilhões em 2024, impulsionada por exportações e modernização tecnológica do setor no país.

A indústria de defesa de Portugal consolidou um faturamento de aproximadamente €2,1 bilhões no último ano. A expansão é impulsionada por uma rede de mais de 160 organizações integradas ao AED Cluster Portugal, que abrange atividades em aeronáutica, espaço e tecnologia militar.

O que você precisa saber

  • O setor deDefesaatingiu receita de €2,1 bilhões, com tendência de crescimento contínuo.
  • Portugal busca modernizar sua frota aérea e cumprir metas de gastos da NATO.
  • A disputa pela renovação dos caças coloca em xeque a autonomia estratégica do país frente aosEstados Unidos.

Modernização e autonomia estratégica

Para atender às exigências da NATO, que estipula investimentos significativos em defesa, o governo português realiza compras de fragatas italianas e tanques alemães. A decisão sobre a substituição dos caças F-16, com mais de 30 anos de uso, permanece em aberto.

O ministro da Defesa, Nuno Melo, questionou a aquisição dos caças F-35 da Lockheed Martin, citando incertezas sobre o compromisso dos EUA com a aliança. Em contrapartida, a sueca Saab propõe o modelo Gripen-E como uma solução europeia, prometendo parcerias industriais com empresas locais como a OGMA.

Tecnologia portuguesa no mercado global

Empresas como a Critical Software exemplificam o avanço do setor. Com 5 mil funcionários, a companhia desenvolve simuladores de voo e sistemas de Inteligência Artificial para o Gripen-E, além de colaborar com gigantes como Airbus e Rheinmetall.

Segundo José Neves, do AED Cluster Portugal, o país conta hoje com cerca de 20 mil empregos diretos na área. “Nos tornamos um player relevante”, afirma o executivo. Equipamentos portugueses, incluindo drones e sistemas de comunicação, já são utilizados em conflitos internacionais, como na Ucrânia.

Desafios geopolíticos na aquisição

Apesar do interesse em soluções europeias, especialistas como Bruno Oliveira Martins, do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo, apontam limitações políticas. A dependência histórica e o uso de bases estratégicas, como nos Açores, restringem a margem de manobra do governo português.

Para o analista, a compra de equipamentos não americanos é vista como um desafio diplomático. Contudo, a construção de uma base industrial europeia exige que países como Portugal priorizem tecnologias que garantam soberania tecnológica e integração regional.

Instalações e equipamentos da indústria de defesa portuguesa
Indústria de defesa portuguesa expande parcerias internacionais e desenvolvimento tecnológico.

Fonte: Dw