O senador Flávio Bolsonaro (PL) formalizou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito em processos envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O requerimento está sob análise do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e visa afastar Moraes da relatoria de uma investigação contra o parlamentar.
Relações financeiras e pessoais levantadas pela defesa
A argumentação jurídica apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro questiona a imparcialidade do ministro frente às conexões estabelecidas com o ex-banqueiro. Entre os pontos destacados pelos advogados, estão:
- Recebimento de honorários:O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, teria recebido R$ 80,2 milhões do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
- Uso de aeronaves e trocas de mensagens:A defesa aponta registros de viagens realizadas pelo casal em aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro e a existência de mensagens trocadas entre o magistrado e o ex-banqueiro.
- Comunicações em data de prisão:Documentos obtidos pelaPolícia Federalindicam contatos sigilosos entre Moraes e Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro, ocorrida em novembro de 2025.
Os representantes do senador afirmam que não emitem juízo de valor sobre a legalidade dos atos, mas sustentam que o conjunto de fatos retira a necessária equidistância do magistrado para conduzir os processos.
Investigação sobre o filme Dark Horse e o Banco Master
O pedido de suspeição ocorre logo após o ministro Alexandre de Moraes solicitar um parecer da Procuradoria-Geral da República sobre a inclusão de Flávio Bolsonaro em um inquérito que já investiga seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, por suposta obstrução à justiça. O requerimento inicial foi apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).
A investigação apura uma possível conexão entre o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, e ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Conforme a acusação, parte dos R$ 134 milhões solicitados por Flávio ao Banco Master para o projeto cinematográfico teria sido utilizada para fins políticos contra autoridades brasileiras.
A defesa do senador solicitou que, caso o pedido seja deferido, o inquérito seja redistribuído ao ministro André Mendonça, que já atua como relator de outras ações envolvendo o Banco Master no STF.
Fonte: Estadão