Ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF. Ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF.

Fachin autoriza AGU a defender Moraes em processo nos EUA

O ministro Edson Fachin autorizou a AGU a atuar na defesa de Alexandre de Moraes em processo movido por empresas americanas nos Estados Unidos.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que a Advocacia-Geral da União adote as providências necessárias para atuar na defesa do ministro Alexandre de Moraes. A medida responde ao processo movido pelo grupo Trump Media e pela plataforma Rumble na Justiça dos Estados Unidos contra o magistrado brasileiro.

Segundo Fachin, o caso ultrapassa a esfera individual do ministro e atinge pilares fundamentais do Estado. “Assim, o que está em questão, para além da figura individual de Ministro do STF, são a independência do Poder Judiciário brasileiro, a integridade do Estado de Direito no Brasil e, no limite, a própria soberania nacional. Eis o que fica cabalmente caracterizado”, justificou o presidente da Corte.

A decisão de Fachin ocorre após a Justiça norte-americana autorizar a notificação de Moraes por e-mail, permitindo o avanço da ação. As empresas buscam reverter ordens de restrição e bloqueio emitidas pelo ministro no brasil, alegando que as determinações configuram censura e violam garantias constitucionais dos EUA. O Rumble, por exemplo, permanece fora do ar no território brasileiro desde fevereiro de 2025.

AGU consulta STF sobre representação em foro estrangeiro

Após ser notificada sobre o processo, a AGU, chefiada por Jorge Messias, consultou o Supremo sobre a possibilidade de representar o Estado brasileiro no exterior. O órgão destacou a sensibilidade jurídica e institucional do caso.

“Nesse sentido, indagamos, com a urgência que o caso reclama, sobre a anuência da Presidência dessa Corte para que seja formulado pedido de ingresso no feito pela República Federativa do Brasil para os propósitos indicados”, afirmou a AGU em documento enviado ao STF. O presidente da Corte respondeu positivamente, reforçando que as decisões questionadas foram confirmadas por órgão colegiado do tribunal.

O presidente do STF, então, afirmou considerar “oportuno e necessário que a Advocacia-Geral da União tome as medidas cabíveis para a defesa do Estado brasileiro no contexto das ações ajuizadas nos Estados Unidos da América”. A legislação brasileira estabelece que ministros do STF não podem ser responsabilizados pessoalmente por decisões tomadas no exercício de suas funções.

Histórico de bloqueios e ordens judiciais do STF

Desde 2020, Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio de ao menos 120 contas em redes sociais, sob a justificativa de ataques às instituições ou incitação a golpe de Estado. O ministro também determinou a suspensão de plataformas como o Rumble e o X por descumprimento de ordens judiciais e ausência de representante legal no país.

O STF sustenta que todos os procedimentos foram acompanhados pela Procuradoria-Geral da República e pelas defesas dos envolvidos, com 70 recursos julgados de forma colegiada. As ordens de remoção de conteúdo foram emitidas no âmbito de inquéritos que apuram ameaças à Corte e atos antidemocráticos. Atualmente, a maior parte das contas anteriormente bloqueadas já foi reativada por novas decisões do tribunal.

Ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF
Ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF.

Fonte: G1