O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação comercial que aponta o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, como uma ferramenta que promove práticas consideradas “injustas” e “discriminatórias”. A análise, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para questionar diretamente a atuação do Banco Central do Brasil.
Banco Central enfrenta críticas por conflito de interesses
Segundo o documento americano, o Banco Central brasileiro atua simultaneamente como regulador e operador do Pix, o que criaria um conflito de interesses. O governo dos EUA argumenta que essa estrutura favorece o sistema nacional em detrimento de empresas americanas de serviços de pagamento eletrônico.
Entre as queixas, estão a obrigatoriedade de instituições financeiras com mais de 500 mil contas oferecerem o Pix, a exigência de destaque do sistema nos aplicativos bancários e a proibição de cobrança de taxas aos clientes finais.
Tarifas de 25% estão em pauta após investigação
Embora a conclusão da investigação tenha sido divulgada, ainda não há uma definição sobre as consequências práticas imediatas. O governo americano propôs tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros, mas a medida segue em discussão.
O cronograma oficial prevê consultas públicas até 1º de julho, uma audiência pública em 6 de julho e um período de diálogo com o governo brasileiro até o dia 15 de julho. Especialistas ressaltam que os EUA não possuem jurisdição direta sobre o Pix, mas podem usar pressões comerciais ou a suspensão de benefícios tarifários.
Geopolítica financeira e expansão do sistema brasileiro
Analistas apontam que a ofensiva americana pode estar ligada a uma estratégia mais ampla de contestação de práticas nacionais em serviços financeiros digitais. O sucesso do Pix como modelo de inovação estatal e sua possível expansão internacional, inclusive no âmbito dos Brics, incomodam o mercado americano pela preocupação com a hegemonia do dólar.
O governo brasileiro tem defendido a soberania do sistema. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou anteriormente que o Pix é um ativo do Brasil e que não haverá mudanças na ferramenta devido a pressões externas.
Fonte: G1