A economia da Alemanha registrou um crescimento de 0,3% no primeiro trimestre de 2026, mantendo uma trajetória de recuperação que superou as expectativas iniciais. Dados do Escritório Federal de Estatísticas indicam que o avanço foi impulsionado pelo aumento nos gastos privados e governamentais, além da elevação no volume de exportações.

Volkswagen registra queda de 28,4% no lucro trimestral
O cenário corporativo, contudo, enfrenta desafios significativos. A Volkswagen reportou uma queda de 28,4% em seu lucro líquido no início de 2026, totalizando € 1,56 bilhão, enquanto a receita recuou 2,5% para € 75,7 bilhões.
O CEO Oliver Blume destacou que “guerras, tensões geopolíticas, barreiras comerciais, regulamentações mais rígidas e concorrência feroz estão criando ventos contrários”.
As entregas globais da montadora caíram 4%, atingindo 2,05 milhões de veículos, com desempenhos negativos na china e nos Estados Unidos. O diretor financeiro, Arno Antlitz, alertou que apenas o impacto das tarifas elevadas adiciona cerca de € 4 bilhões em custos anuais, tornando insuficientes os planos de corte de despesas vigentes.
Desemprego acima de 3 milhões pressiona agência federal
No mercado de trabalho, a situação permanece delicada. O número de desempregados na Alemanha manteve-se acima da marca de três milhões em abril, totalizando 3,008 milhões de pessoas.
A chefe da Agência Federal de Emprego, Andrea Nahles, afirmou que “a situação tornou-se mais desconfortável para nós”, prevendo um aumento no déficit da instituição que deverá ser coberto por empréstimos federais.
A projeção atual aponta para uma média de 2,978 milhões de desempregados ao longo de 2026. O Instituto de Pesquisa de Emprego da Alemanha declarou estar mais pessimista sobre as perspectivas laborais do que em qualquer outro momento desde o início da pandemia de COVID-19.
BCE mantém taxa de juros em 2% diante do risco de estagflação
Especialistas financeiros alemães receberam com cautela a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter a taxa básica de juros em 2% nesta quinta-feira. A instituição enfrenta o risco de estagflação, onde o crescimento lento coincide com a alta inflação impulsionada pelos preços do petróleo.
“Quanto mais tempo a guerra continuar e quanto mais tempo os preços da energia permanecerem altos, mais forte será o impacto provável na inflação mais ampla e na economia“, declararam os formuladores de políticas do BCE.
Jörg Asmussen, CEO da Associação Alemã de Seguros, ressaltou que, diante da incerteza sobre a duração do conflito no Irã, o banco central está atualmente “navegando no nevoeiro”.
Fonte: Dw