O dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira em alta, cotado a R$ 5,0014, uma valorização de 0,40%. O movimento reflete a aversão ao risco no mercado global, impulsionada pela forte escalada nos preços do petróleo e pela percepção de uma postura mais conservadora por parte do Federal Reserve, o Fed.
Brent sobe 5,78% e atinge US$ 110,44 por barril
Os preços do petróleo registraram alta expressiva, com o Brent para julho subindo 5,78%, a US$ 110,44 o barril, e o WTI para junho avançando 6,95%, a US$ 106,88. A valorização da commodity é motivada pela expectativa de um conflito prolongado no Oriente Médio, que mantém o bloqueio ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% da oferta mundial de petróleo.
O cenário de tensão foi agravado por sinalizações de possíveis novas ações militares dos Estados Unidos na região, além da saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep. Analistas do banco ING classificaram esse movimento como um golpe à influência do cartel.
Brasil mantém resiliência com juros elevados
Apesar do mau humor global, o real manteve um desempenho resiliente. Operadores do mercado financeiro avaliam que a manutenção de juros elevados no Brasil oferece proteção à moeda nacional. Estrategistas do HSBC destacam que, embora o Banco Central brasileiro tenha iniciado um ciclo de cortes, as taxas reais devem permanecer em patamares restritivos, o que favorece o real.
O banco ajustou sua projeção para o dólar ao final de 2026 de R$ 5,00 para R$ 4,80, citando a recuperação do crescimento econômico brasileiro e a condição do país como exportador líquido de energia. Analistas do Commerzbank observam que, embora novos cortes de juros sejam prováveis, a persistência da guerra pode limitar a intensidade dessas reduções.
O ambiente político também permanece no radar dos investidores. Pesquisas recentes indicam uma disputa acirrada em simulações de segundo turno, fator que deve continuar influenciando a volatilidade do câmbio no curto e médio prazo.
Fonte: Globo