O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou sua cúpula com Xi Jinping sem obter conquistas relevantes, enquanto a Rússia fortaleceu sua parceria estratégica com a China. A análise é do especialista internacional Lourival Sant’Anna, que aponta um contraste significativo entre os resultados obtidos por Washington e Moscou em Pequim.
Durante o encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin, realizado uma semana após a passagem da delegação americana, os dois países oficializaram mais de 40 acordos de cooperação. Em contrapartida, a reunião liderada por Trump resultou apenas em uma sinalização vaga sobre uma possível ampliação de exportações dos Estados Unidos para o mercado chinês.
O objetivo de Trump de obter apoio chinês para a reabertura do Estreito de Ormuz não foi concretizado. Paralelamente, Vladimir Putin também enfrentou obstáculos, falhando ao tentar finalizar o contrato do gasoduto Power of Siberia 2, devido a impasses técnicos sobre o preço do gás natural.
Xi Jinping mantém posição de superioridade nas negociações
Para Sant’Anna, o líder chinês conduziu ambos os encontros a partir de uma posição de clara superioridade geopolítica. “O Xi Jinping estava lidando com dois países que estavam numa posição de nações tributárias, como na época do Império do Meio”, analisou o especialista.
O analista destaca que tanto a administração americana quanto o governo russo enfrentam fragilidades resultantes de conflitos mal sucedidos, o que acaba por ampliar o protagonismo da China no cenário global. As incertezas também dominam as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Sobre este tema, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, refutou rumores de avanços diplomáticos. Segundo a agência Irna, Baghaei afirmou que “as alegações sobre questões nucleares — como urânio enriquecido ou níveis de enriquecimento — são mera especulação da mídia e não têm fundamento na realidade”.
Impasse nuclear e o papel da mediação regional
As conversas entre Washington e Teerã enfrentam obstáculos severos, especialmente no controle do enriquecimento de urânio. Sant’Anna observa que o Irã demonstra disposição apenas para discutir o fim de tensões e a reabertura do estreito, mantendo firme seu programa nuclear.
“Antes de começar o conflito, os Estados Unidos estavam negociando a suspensão do programa nuclear e agora parece que a questão retrocedeu para um ponto anterior”, afirmou o analista. O Irã reforça que sua atividade segue as diretrizes do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
A entrada do Catar como mediador surge como um novo elemento estratégico. Mesmo após períodos de afastamento com o Irã, o país retomou a diplomacia com o apoio do Paquistão. “O Qatar pode ajudar bastante”, avaliou Sant’Anna.
Troca tecnológica entre China e Rússia afasta sanções
Relatos indicam que as forças armadas chinesas teriam treinado cerca de 200 militares russos no final do último ano. Sobre a possibilidade de sanções ocidentais contra Pequim, o especialista é direto: “Zero, impossível, esquece, não vai ter sanção nenhuma contra a China”.
O analista explica que a dependência global da economia chinesa torna qualquer retaliação inviável. Um eventual abandono dos manufaturados da China causaria um choque inflacionário no Brasil, nos Estados Unidos e em toda a Europa.
Existe um intercâmbio fluido entre as potências: a China exporta chips e componentes de uso dual para a Rússia, enquanto recebe tecnologia militar, incluindo mísseis hipersônicos e sistemas de submarinos. “Há uma troca muito fluida entre esses dois países”, concluiu Sant’Anna.
Fonte: Cnnbrasil