Cármen Lúcia vota para derrubar mudanças na Lei da Ficha Limpa que em contexto de Política Econômica Cármen Lúcia vota para derrubar mudanças na Lei da Ficha Limpa que em contexto de Política Econômica

Cármen Lúcia vota para derrubar mudanças na Lei da Ficha Limpa que

Cármen Lúcia vota pela inconstitucionalidade de mudanças na Lei da Ficha Limpa, apontando retrocessos na proteção da moralidade pública brasileira.

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (22) pela inconstitucionalidade de trechos da norma que alterou a Lei da Ficha Limpa em 2025. Relatora da ação apresentada pela Rede Sustentabilidade, a magistrada defendeu o restabelecimento das regras anteriores, argumentando que as mudanças atuais representam um retrocesso na proteção da moralidade pública.

Cármen Lúcia questiona prazo de 12 anos e processo legislativo

Em seu voto, a ministra afirmou que as alterações, que reduziram o tempo de punição para políticos cassados e condenados, esvaziam a legislação e ameaçam o instituto da inelegibilidade. Cármen Lúcia criticou especialmente a criação de um teto de 12 anos para a inelegibilidade, classificando-o como uma espécie de “salvo-conduto” ou anistia que poderia gerar impunidade.

Além do mérito, a relatora apontou um vício no processo legislativo. Segundo a ministra, o Senado realizou mudanças substanciais no texto original da Câmara dos Deputados sem devolver o projeto para nova votação dos deputados, o que violaria o artigo 65 da Constituição Federal.

Mudanças de 2025 encurtam afastamento da vida pública

A lei sancionada no ano passado alterou o ponto de partida para a contagem do prazo de inelegibilidade. Anteriormente, o período era contado a partir do fim do cumprimento da pena ou do término do mandato. Com a nova norma, a contagem passou a ser iniciada a partir da decisão judicial que decreta a perda do cargo ou da condenação, o que, na prática, encurta o tempo de afastamento da vida pública.

Posicionamento da PGR sobre a constitucionalidade das regras

Enquanto a Rede Sustentabilidade argumenta que a lei desfigurou o sistema de proteção à probidade administrativa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou entendimento distinto. O procurador-geral Paulo Gonet defendeu a constitucionalidade da maior parte das mudanças, sustentando que o Legislativo possui competência para definir tais regras. Gonet, contudo, concordou com a necessidade de derrubar trechos que permitem a contagem simultânea da inelegibilidade com a suspensão dos direitos políticos.

O julgamento ocorre em plenário virtual e tem previsão de término para a próxima sexta-feira (29). Os demais nove ministros da Corte ainda devem registrar seus votos.

Fonte: G1