Fachada da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Fachada da Secretaria da Fazenda de São Paulo.

Auditores da Fazenda de SP recebem até R$ 513 mil em março

Auditores fiscais em São Paulo receberam até R$ 513 mil em março. Verbas extras superam o teto do funcionalismo estadual. Entidades contestam os dados.

Auditores fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo registraram em março os maiores salários do funcionalismo paulista, com contracheques líquidos que chegaram a R$ 513 mil. Os valores superam o teto estadual, fixado por lei em R$ 36,3 mil, impulsionados por três tipos de verbas extras. No período, 64% da categoria ultrapassou o limite de remuneração.

Pagamentos de R$ 390 mil e R$ 371 mil superam teto

Entre os servidores ativos, um auditor fiscal recebeu a maior remuneração líquida, totalizando R$ 390.420,48, valor cerca de 11 vezes acima do teto constitucional. O segundo maior holerite registrado no mês foi de R$ 371.231,82, também livre de descontos. Somados, os três penduricalhos dos auditores custaram R$ 111,5 milhões ao Tesouro de São Paulo.

As vantagens eventuais são pagamentos pontuais, enquanto a licença-prêmio indenizada compensa períodos de descanso não usufruídos. Já o abono de permanência é destinado ao servidor que atingiu os requisitos para aposentadoria, mas opta por seguir na ativa. Em nota, a Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento informou que “os valores apontados pela reportagem no mês de março decorrem de verbas excepcionais e não permanentes, plenamente amparadas pela legislação vigente”.

Entidades rebatem distorções sobre remuneração

Quatro entidades representativas da categoria divulgaram nota rebatendo o que chamam de distorções na análise dos dados. Segundo as associações, os valores descritos no Portal da Transparência não são pagos integralmente, pois sofrem redução legal para respeitar o teto. “Os casos citados são relativos a verbas indenizatórias ou verbas acumuladas ao longo de toda carreira que são pagas uma única vez”, afirmam.

A nota é assinada por dirigentes da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), Federação Nacional dos Auditores Fiscais (Fenat), Associação dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo (Afresp) e Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo (Sinafresp). As entidades argumentam que o método de cálculo utilizado para a média salarial é artificial.

Impacto de legislações nas carreiras

Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha extinguido 15 penduricalhos e limitado verbas indenizatórias a 35% do subsídio, a medida ficou restrita à magistratura e ao Ministério Público. As demais carreiras seguem legislações próprias, o que impede a aplicação automática da decisão. O cenário de fiscalização ocorre em meio a operações do Ministério Público, como a Operação Ícaro, que investiga esquemas de corrupção no setor.

Fonte: Estadão