Protestos contra reformas trabalhistas na Argentina. Protestos contra reformas trabalhistas na Argentina.

Argentina e Panamá entram na lista dos 10 piores países para trabalhadores

Argentina e Panamá entram para o ranking dos 10 piores países para os direitos dos trabalhadores, conforme aponta o Índice Global dos Direitos 2026.

A Argentina e o Panamá juntaram-se ao Equador na lista dos 10 piores países do mundo para os direitos dos trabalhadores, segundo o mais recente Índice Global dos Direitos, divulgado nesta segunda-feira (1º) pela Confederação Sindical Internacional (CSI). O grupo inclui ainda Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia.

A Argentina ingressou no ranking após cair para a categoria 5, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração. “A Argentina entra este ano na lista dos 10 piores países para os trabalhadores após cair para a categoria 5, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração de sua classificação”, apontou a CSI.

O estudo sustenta que as condições para os trabalhadores e sindicatos tornaram-se mais repressivas sob o governo de Javier Milei. O relatório cita a implementação de um protocolo antibloqueio que autoriza o uso indiscriminado da força policial para manter a ordem pública em estradas.

A classificação do país caiu de forma brusca, passando da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos. O grupo 5 representa nações onde os direitos não são garantidos, mesmo que a legislação mencione certas proteções. Em relação ao Panamá, a CSI afirma que os trabalhadores enfrentam opressão constante tanto de empregadores quanto do Estado.

Equador e a vigilância sem ordem judicial

Sobre o Equador, o relatório destaca que legisladores promulgaram em 2025 uma lei que permite a realização de vigilância sem ordem judicial, além da interceptação de comunicações e coleta de dados privados. A situação reflete um padrão onde, embora existam leis, o acesso efetivo aos direitos é inexistente.

Enquanto isso, o Brasil, Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago figuram no grupo 4, classificado como de “violações sistemáticas de direitos”. O FMI aponta necessidade de reformas fiscais para reduzir dívida em diversos países da região, um fator que muitas vezes impacta a estabilidade social e laboral.

Uruguai se destaca entre os países da América Latina

O Uruguai é o único país latino-americano no grupo 1, que registra apenas “violações esporádicas”, posicionando-se ao lado de nações como Alemanha, Áustria e Dinamarca. O estudo define o país como uma exceção em uma região marcada pela repressão sindical e exploração.

A América Latina segue como a região mais letal para representantes sindicais, com execuções extrajudiciais registradas na Colômbia e no México. “Em cerca de 9 em cada 10 países foi violado o direito de greve e impedido o registro de sindicatos. Em aproximadamente metade dos 25 países da região, trabalhadores foram detidos ou encarcerados”, assinala a CSI.

Luc Triangle, secretário-geral da CSI, afirmou que “o Índice 2026 revela que a crise dos direitos dos trabalhadores já não se limita a alguns poucos países: ela agora está no centro das democracias”. O dirigente acrescentou que “os governos já não protegem os trabalhadores e, em alguns casos, contribuem para enfraquecer seus direitos”.

Protestos trabalhistas na Argentina
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Fonte: G1