Jorge Messias durante sabatina na CCJ do Senado para vaga no STF. Jorge Messias durante sabatina na CCJ do Senado para vaga no STF.

CCJ do Senado aprova indicação de Jorge Messias para o STF

A CCJ do Senado aprovou a indicação de Jorge Messias para o STF por 16 votos a 11. O indicado defendeu um papel residual para o Poder Judiciário.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Após uma sabatina que se estendeu por oito horas, o nome do atual advogado-geral da União recebeu 16 votos favoráveis e 11 contrários em votação secreta.

A expectativa é que a indicação seja submetida à votação no plenário do Senado ainda nesta quarta-feira. O processo de escolha, iniciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro, passou por um período intenso de articulação política para garantir o apoio necessário antes do envio da documentação oficial ao Congresso.

Judiciário deve ser papel complementar e não protagonista

Durante a sabatina, Jorge Messias defendeu que o STF mantenha uma atuação equilibrada, evitando o protagonismo excessivo. “O Judiciário deve sempre cumprir papel residual e complementar. Não como protagonista ou substituto dos gestores e legisladores”, afirmou o indicado.

Ele ressaltou que o desafio central da Corte é garantir a imparcialidade, evitando tanto o ativismo quanto o passivismo judicial. Messias rejeitou a ideia de que o tribunal deva atuar como uma instância de resolução de disputas políticas. “Não tenho concordância com essa visão. O Supremo Tribunal Federal não deve ser o Procon da política“, declarou, alertando para os riscos de violação da separação entre os Poderes.

O indicado também se comprometeu com a transparência, prometendo divulgar integralmente suas agendas e fortalecer a colegialidade nas decisões do tribunal.

Posicionamentos sobre temas sensíveis e demarcações

Ao ser questionado sobre o aborto, Messias declarou ser “totalmente contra” a prática, classificando-a como uma “tragédia humana”. Contudo, enfatizou que a discussão deve ser conduzida pelo Congresso e garantiu que não adotará postura ativista no tema. “Da minha parte, não haverá qualquer tipo de ação de ativismo em relação ao tema aborto”, afirmou.

Sobre o marco temporal para demarcação de terras indígenas, o indicado defendeu uma solução baseada em diálogo e mediação. “É preciso dar um fim a essa discussão. Eu acredito que é possível, com boa vontade, boa-fé e muito diálogo, encontrar um ponto de contato”, disse.

Ele sugeriu que a regularização pode envolver compensações financeiras aos titulares das áreas, afirmando que “há de se ter coragem de assumir compromissos econômicos e financeiros com os legítimos titulares das terras”.

Trajetória profissional e atos de 8 de Janeiro

Jorge Messias, de 45 anos, é procurador de carreira da Fazenda Nacional desde 2007 e comanda a Advocacia-Geral da União desde janeiro de 2023. Graduado pela UFPE e com mestrado e doutorado pela UnB, ele possui histórico de atuação jurídica em governos anteriores. Caso aprovado pelo plenário, Messias ocupará a vaga deixada pela aposentadoria de um ministro.

A sabatina também abordou os atos de 8 de Janeiro, que Messias classificou como um dos momentos “mais tristes” de sua vida. Ele argumentou que a violência não é uma opção para a democracia e que, à época, adotou as medidas legais cabíveis dentro de sua competência. A votação final no plenário do Senado seguirá o rito de votação secreta, consolidando a etapa final da indicação para a Corte máxima do país.

Fonte: Moneytimes