O governo federal prepara o lançamento de uma nova rodada do programa de renegociação de dívidas, batizado de Desenrola 2.0, com previsão de anúncio para o dia 1º de maio. A iniciativa busca ampliar o alcance das negociações entre devedores e instituições financeiras, servindo como uma das principais entregas econômicas do primeiro semestre para o Palácio do Planalto.
O que você precisa saber
- O programa foca em pessoas comrendade até cinco salários mínimos com dívidas em atraso.
- A medida visa aliviar o orçamento das famílias, que hoje compromete quase 30% da renda compagamentos.
- O governo projeta refinanciar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em débitos nesta nova fase.
Endividamento atinge patamar recorde
O lançamento ocorre em um momento de deterioração dos indicadores financeiros das famílias brasileiras. Dados do Banco Central mostram que o endividamento atingiu 49,9% da renda em fevereiro, o maior nível registrado na série histórica.
O comprometimento mensal com dívidas chegou a 29,7%, indicando que quase um terço da renda das famílias está comprometido. Esse cenário reforça a urgência de medidas que aliviem o orçamento doméstico e sustentem o consumo, em meio a um momento de pressão sobre a popularidade da gestão atual.
Impacto no crédito e consumo
A avaliação interna do governo é que o avanço das dívidas e o impacto sobre o poder de compra contribuem para a percepção negativa da economia. O programa busca mitigar esses efeitos, oferecendo condições mais favoráveis para a quitação de débitos em atraso.
Condições e alcance do programa
O Desenrola 2.0 deve permitir a renegociação de débitos com atraso entre dois meses e três anos. A expectativa é que os juros das novas operações fiquem abaixo de 2% ao mês, com limite estimado em 1,99%.
Descontos e garantias
Os descontos oferecidos pelos bancos devem variar conforme o tempo da dívida, podendo chegar a 80% ou 90% para débitos mais antigos. O programa contará com garantia parcial do governo, via Fundo Garantidor de Crédito, com aporte do Tesouro de até R$ 10 bilhões.
Além disso, os devedores poderão utilizar até 20% do saldo do FGTS para quitar as dívidas. A adesão das instituições financeiras será voluntária, com participação de bancos e fintechs já em negociação pelo Ministério da Fazenda.
Pontos em aberto e desafios
Ainda existem definições pendentes antes do lançamento oficial. O governo discute se haverá regras específicas para trabalhadores informais e a possibilidade de período de carência nos novos contratos.
Restrições e apostas online
Também está em análise a inclusão de restrições relacionadas ao uso de apostas online por beneficiários do programa. A proposta é defendida por integrantes do governo e por bancos, mas ainda enfrenta dúvidas jurídicas sobre sua implementação prática.
Fonte: Infomoney