O que você precisa saber
- O apagão de 28 de abril de 2025 deixou 36 milhões de consumidores semenergiana Península Ibérica.
- A operação reforçada para evitar novas falhas elevou os custos do sistema elétrico em bilhões de euros.
- A CNMC abriu 20 expedientes sancionadores contra a Red Elétrica e grandes empresas do setor.
O dia 28 de abril de 2025 marcou o sistema elétrico ibérico com um apagão total que atingiu 30 milhões de consumidores na Espanha e 6 milhões em Portugal. O incidente paralisou indústrias, transportes e serviços básicos, sendo recuperado apenas na madrugada do dia seguinte. O governo atribuiu inicialmente o colapso a oscilações em plantas fotovoltaicas, embora especialistas apontem falhas na gestão da rede.
Investigações e falta de consenso
A disputa por responsabilidades
Apesar das promessas de rigor, um ano após o evento, não há responsáveis declarados. O operador do sistema, Red Elétrica (REE), defende-se apontando falhas de controle de tensão por parte de grandes companhias como Iberdrola, Endesa e Naturgy. Por outro lado, empresas do setor argumentam que o operador falhou ao programar apenas 5 GW de energia síncrona, insuficiente para estabilizar a rede.
Impacto financeiro e medidas técnicas
Custos da operação reforçada
A consequência mais direta para o consumidor é o encarecimento da conta de luz. A necessidade de manter ciclos combinados em operação constante para garantir a estabilidade elevou os custos de restrições de 2,7 bilhões de euros em 2024 para 3,9 bilhões em 2025. Consultorias como a Nera estimam que o custo da operação reforçada atingiu 1,5 bilhão de euros, enquanto a REE reconhece 660 milhões.
Mudanças regulatórias
A CNMC iniciou 20 processos sancionadores em abril de 2026, focados em possíveis infrações graves na gestão da rede. Paralelamente, foram aprovadas alterações nos procedimentos de operação, como o novo P.O. 7.4, que permite às renováveis oferecer controle dinâmico de tensão. Tais medidas buscam mitigar os riscos de novos desequilíbrios, um tema central para a segurança energética europeia.




Fonte: Elpais