Trabalhadores realizando a colheita de café em lavoura de Minas Gerais. Trabalhadores realizando a colheita de café em lavoura de Minas Gerais.

Chuvas em Minas Gerais atrasam colheita e afetam café

Chuvas em Minas Gerais atrasam a colheita de café em 30 dias e afetam a qualidade dos grãos. Confira os impactos na produção nacional e no mercado.

Temporais e umidade excessiva em regiões estratégicas de Minas Gerais têm causado interrupções na colheita do café e gerado preocupações quanto à qualidade do grão. Produtores do Sul de Minas, uma das áreas mais relevantes para a produção de café arábica no país, relatam prejuízos visíveis causados pelas variações climáticas recentes.

Leonardo Resende, produtor em Varginha, aponta que o calendário de colheita sofreu alterações significativas. “Além da maturação ter atrasado um pouco, com as chuvas, temos um atraso de aproximadamente 30 dias na colheita”, afirma. Segundo o produtor, o fruto acaba mofando antes da secagem quando coberto para proteção, resultando em manchas após o beneficiamento que prejudicam o valor de mercado.

Embora a colheita não tenha sido paralisada totalmente, o tempo nublado e a umidade constante afetam o sabor e a aparência do produto. A cooperativa Minasul, que acompanha 9 mil famílias produtoras, mantinha perspectivas favoráveis para a safra até meados de junho, mas o cenário atual de chuvas elevou a apreensão no campo.

Ritmo da colheita atinge 15,8% da área na Cooxupé

Dados da Cooxupé indicam que o ritmo de retirada dos grãos atingiu 15,8% da área de atuação até 14 de junho, um avanço em relação aos 12% registrados na semana anterior, mas ainda abaixo do esperado. Na região do Cerrado Mineiro, a Expocacer projeta uma colheita de 2,86 milhões de sacas de 60 kg de café arábica, destacando que 57% dos frutos atingiram o estágio cereja.

“O clima favoreceu o enchimento dos grãos e a evolução da maturação, sustentando boas perspectivas para a produtividade da safra. O cenário atual reforça perspectivas favoráveis tanto para produtividade quanto para qualidade dos cafés produzidos na região do Cerrado Mineiro”, indica boletim da Expocacer.

Enquanto produtores enfrentam dificuldades locais, relatórios de instituições financeiras como o Rabobank indicam que as chuvas foram pontuais em diversas áreas, sem comprometer o andamento majoritário da colheita em estados como Minas Gerais. A consultoria Hedgepoint alerta, contudo, que o fenômeno El Niño pode trazer desafios adicionais para o desenvolvimento da safra 2027/28.

Risco de estresse térmico preocupa produtores globais

O Itaú BBA destaca que a irregularidade das chuvas e o aumento do estresse térmico podem causar floradas desuniformes e perda de produtividade, não apenas no Brasil, mas também em grandes produtores como Colômbia e Vietnã. “No Brasil, o principal risco associado a um evento mais intenso está na quebra do padrão regular de precipitações”, caracteriza o banco.

A instabilidade hídrica compromete a previsibilidade necessária para o café, que depende de um período seco bem definido seguido por chuvas contínuas. A selic e outros indicadores macroeconômicos também são monitorados pelo setor, que busca entender como o clima pode limitar movimentos de queda de preços nos mercados internacionais diante de uma safra brasileira recorde.

Fonte: Cnnbrasil