O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano. A decisão, embora aguardada por parte do mercado, veio acompanhada de um comunicado com tom mais cauteloso, que elevou a exigência para a continuidade do ciclo de cortes.
Inflação e incertezas externas pressionam decisão
A autoridade monetária justificou a cautela citando a piora marginal nas projeções de inflação e o aumento das incertezas no cenário externo, com destaque para os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Internamente, o Banco Central apontou a resiliência do mercado de trabalho e a aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, fatores que pressionam o balanço de riscos.
Analistas observam que o comunicado deixa a porta aberta para novos cortes, mas condiciona estritamente as próximas decisões à evolução dos dados. Existe, inclusive, a possibilidade de uma pausa no ciclo já na reunião de agosto, caso o cenário macroeconômico não apresente sinais de melhora.
Setor produtivo critica nível da taxa básica
Enquanto parte do mercado financeiro projeta a manutenção da Selic em 14,25% até o final do ano, outros economistas ainda enxergam espaço para flexibilização gradual, dado o nível elevado de aperto monetário atual. O setor produtivo, por outro lado, manifestou insatisfação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como insuficiente, argumentando que o patamar atual dos juros inviabiliza investimentos e planos de expansão industrial.
O cenário internacional, marcado pela manutenção dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, também limita a margem de manobra do Banco Central brasileiro. O contexto mantém o câmbio sob pressão e exige prudência na condução da política monetária do país.
Fonte: Infomoney