O aumento das exportações da China, a deterioração das contas dos Estados Unidos e o baixo nível de investimentos na Europa preocupam o G7. O grupo, que reúne as sete maiores economias desenvolvidas do mundo, teme que o cenário atual intensifique tensões comerciais e torne a economia global vulnerável a crises financeiras.

O tema é prioridade da França, atual presidente do grupo. Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, os desequilíbrios entre o comércio mundial e a circulação de capital atingiram níveis “insustentáveis”. O assunto será debatido na cúpula de líderes desta semana.
Ministros das Finanças do G7 concordaram, no mês passado, sobre a necessidade de uma ação coordenada. Eles alertaram que, sem uma resposta conjunta, os desequilíbrios podem evoluir para uma crise financeira global.
Saldos em conta corrente revelam desequilíbrio pós-pandemia
Os saldos em conta corrente, que medem a entrada e saída de recursos de um país, mostram um desequilíbrio crescente desde a pandemia de Covid-19. Após cair nos anos seguintes à crise de 2008, o superávit da China atingiu níveis recordes.
Simultaneamente, a zona do euro mantém sua posição de credora global, enquanto os Estados Unidos dependem de capital estrangeiro para financiar seu consumo. Na prática, a poupança acumulada em certas nações financia o consumo norte-americano.
China registra superávit recorde de US$ 735 bilhões
O modelo chinês, focado em exportações, enfrenta críticas por incentivos que elevaram a produção acima do consumo interno. Desde a pandemia, o superávit em conta corrente do país saltou para o recorde de **US$ 735 bilhões**, impulsionado por produtos industrializados.
Críticos, como o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmam que a moeda chinesa é mantida artificialmente desvalorizada. Eles também argumentam que empresas locais recebem subsídios superiores aos de economias desenvolvidas.
Em dezembro, Macron afirmou que, se as economias não se reequilibrarem via cooperação, a Europa “não terá outra escolha” a não ser adotar medidas protecionistas. O governo de Pequim rejeita as críticas, alegando que suas empresas são competitivas e que defenderá seus interesses contra barreiras comerciais.
Déficit dos EUA e o subinvestimento na Europa
Os Estados Unidos seguem como motor do consumo global, gastando mais do que produzem. Políticas de cortes de impostos e estímulos elevaram o déficit federal, tornando o país dependente de recursos externos. Essa dinâmica, embora sustente o crescimento, alimenta tensões comerciais e o uso de tarifas por autoridades americanas.
Já o excedente da Europa deriva do baixo nível de investimentos internos e da alta poupança. Segundo relatório de 2024 de Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, o bloco precisa transformar poupança em investimentos produtivos em tecnologia e infraestrutura para não perder competitividade frente aos EUA e à China.
A falta de investimentos reduz a atividade econômica europeia, levando parte da poupança a buscar retornos em outros países. O cenário reforça a necessidade de estabilidade econômica para evitar rupturas no mercado internacional.
Fonte: G1