O que você precisa saber
- O presidente da Câmara, Hugo Motta, instala nesta semana a comissão especial para discutir a proposta de fim daescala 6×1.
- A alteração nas regras de jornada impacta diretamente o custo operacional das empresas e a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros.
- O cronograma legislativo prevê a votação da proposta no plenário da Câmara até maio, buscando uma definição célere sobre o tema.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que busca alterar a jornada de trabalho entra em uma fase decisiva no Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou a instalação da comissão especial, colegiado que analisará o mérito das mudanças na legislação trabalhista atual.
Debates sobre jornada e transição
Modelos de redução de horas
Atualmente, a Câmara analisa dois projetos centrais. O texto de Reginaldo Lopes (PT-MG) prevê uma transição de dez anos para reduzir a carga horária de 44 para 36 horas semanais. Já a proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) defende uma transição mais curta, de um ano, com a adoção da jornada 4×3.
Resistência e negociações
O governo Lula apresentou uma alternativa via projeto de lei, sugerindo a escala 5×2 com jornada de 40 horas semanais. Motta, contudo, decidiu manter o rito da PEC, alegando que o formato por lei ordinária geraria insegurança jurídica. Parlamentares projetam que o texto final passará por modificações expressivas durante o debate na comissão.
Pontos de divergência entre setores
Impacto nos custos operacionais
Setores do empresariado argumentam que a PEC deve focar na redução das horas semanais, sem fixar rigidamente os dias de folga. O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) alerta que a imposição de dias fixos exigiria novas contratações em empresas que operam 24 horas, o que encareceria o custo final de produtos e serviços ao consumidor.
Proposta de hora trabalhada
A bancada do PL propõe o regime de “hora trabalhada, hora recebida” como forma de modernização das relações de trabalho. Apesar da defesa, o governo insiste que a jornada reduzida não pode implicar em redução salarial para os trabalhadores.
Cronograma e pressão política
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defende a redução imediata para 40 horas, enquanto alas governistas discutem uma transição de quatro anos. A pressão por uma definição no Senado aumenta à medida que o calendário eleitoral se aproxima, com a expectativa de votação final até julho.
Fonte: Estadão