Mapa de tensões entre Irã e Israel no Oriente Médio. Mapa de tensões entre Irã e Israel no Oriente Médio.

Irã adota postura agressiva e amplia riscos contra Israel

O Irã adota estratégia militar agressiva e direta contra Israel, buscando romper impasses e testar a aliança entre Washington e Tel Aviv no Oriente Médio.

Os ataques do Irã contra Israel nesta semana representam algumas das iniciativas mais ousadas de Teerã para redefinir os limites de um confronto que, durante décadas, foi travado principalmente por meio de grupos aliados, operações encobertas e retaliações cuidadosamente calculadas. Ao atingir Israel em resposta a ações no Líbano, o governo iraniano sinalizou que suas linhas vermelhas não se limitam mais às próprias fronteiras, demonstrando disposição para assumir riscos maiores.

Desde o cessar-fogo firmado em 8 de abril, Teerã acusa repetidamente Israel e os Estados Unidos de enfraquecerem a trégua por meio de operações militares. Enquanto os EUA realizaram ataques contra alvos iranianos durante as negociações, Israel lançou quase 3.500 ataques no Líbano, incluindo ações em Beirute, apesar das restrições do acordo. O Irã respondeu com ataques retaliatórios contra alvos americanos e de países do Golfo, alertando que, caso a diplomacia fracasse, está preparado para ampliar o conflito para além do Golfo Pérsico, ameaçando rotas marítimas estratégicas.

Ataques iranianos a Israel sinalizam mudança mais ampla

Os ataques recentes contra Israel parecem representar um passo além na estratégia de Teerã, que busca romper o impasse diplomático e apoiar o grupo Hezbollah. “Revertemos a lógica do cessar-fogo que existia no papel, mas que vinha sendo repetidamente violada na prática, em campo”, afirmou na segunda-feira (8) Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano. “Enquanto não houver uma disposição genuína para construir confiança, a resposta do Irã continuará a mesma.”

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, reforçou que, “sob nenhuma circunstância”, o país aceitaria a continuidade de ataques enquanto o cessar-fogo é desrespeitado. Essa postura sugere uma mudança geracional em Teerã, onde líderes abandonam a cautela reativa em favor do uso de poder militar e influência regional para moldar os acontecimentos no Oriente Médio. “Eles estão dispostos a correr riscos. Acreditam que estão vencendo. Não acham que o cessar-fogo esteja servindo aos seus interesses”, afirmou Aaron David Miller.

Mudança na estratégia de retaliação iraniana

Historicamente, o Irã preferia retaliações calculadas, como visto em 2020 após a morte de Qasem Soleimani, quando Teerã deu avisos prévios antes de atacar uma base americana. Contudo, os ataques desta semana indicam que esse cálculo mudou. “Esta é a primeira vez em décadas que uma potência regional possui os meios, a capacidade e a disposição para empregar poder militar direto contra manobras militares israelenses ou atos de agressão contra um terceiro ator”, afirmou Trita Parsi, do Quincy Institute.

Uma fonte militar próxima à Guarda Revolucionária do Irã, citada pela agência Tasnim, declarou que o país está preparado para elevar o nível de tensão. “Se os israelenses e os americanos imaginam que, por meio de uma ‘tensão controlada’, podem tornar o Irã e o chamado Eixo da Resistência previsíveis diante de seus crimes, ou limitar o tipo de resposta iraniana, estão cometendo um erro tolo”, afirmou a fonte. O objetivo é criar uma nova equação que impeça Israel de atuar contra o Irã e seus aliados.

Explorando fissuras na relação entre EUA e Israel

O Irã também testa a aliança entre Washington e Tel Aviv, explorando divergências sobre o desfecho do conflito. O presidente Donald Trump tem se distanciado publicamente de Benjamin Netanyahu, insistindo que um acordo diplomático é possível. Após o ataque iraniano, Trump conversou com o primeiro-ministro israelense para evitar uma escalada, enquanto Esmaeil Baghaei afirmou que Washington “tem responsabilidade” pelas ações de Israel e que elas afetariam o processo diplomático.

A pressão exercida por Trump sobre Netanyahu, segundo Aaron David Miller, “acrescentou mais uma ficha à mesa” para o Irã, conferindo ao país um novo poder de barganha. O cenário força Washington a escolher entre apoiar a liberdade de ação militar de Israel ou preservar o caminho diplomático com Teerã, consolidando uma nova norma nas relações regionais.

Fonte: Cnnbrasil