Fachada de empreendimento residencial do programa Minha Casa Minha Vida. Fachada de empreendimento residencial do programa Minha Casa Minha Vida.

Minha Casa Minha Vida amplia limites e setor imobiliário teme FGTS

Minha Casa Minha Vida eleva teto de renda e valor de imóveis. A ampliação dos limites do programa Minha Casa Minha Vida agora contempla famílias com…

A ampliação dos limites do programa Minha Casa Minha Vida agora contempla famílias com renda de até R$ 13 mil, permitindo a aquisição de imóveis avaliados em até R$ 600 mil. A medida busca destravar a demanda e estimular novos lançamentos habitacionais, embora o mercado demonstre cautela com o uso do FGTS para fins distintos da habitação.

O que você precisa saber

  • O Minha Casa Minha Vida elevou o teto derendapara R$ 13 mil e o valor dos imóveis para R$ 600 mil.
  • O uso do FGTS para quitar dívidas pessoais gera receio de desabastecimento nocréditohabitacional.
  • O FGTS responde por cerca de 43% do volume total de novos financiamentos imobiliários no Brasil.

Impacto no financiamento habitacional

O FGTS permanece como um pilar estratégico para o setor, tendo sido responsável por R$ 138 bilhões dos R$ 324 bilhões em novos financiamentos concedidos em 2025. Com o orçamento do fundo projetado em R$ 160,5 bilhões para 2026, cerca de 90% do montante é voltado à habitação, incluindo os subsídios essenciais para famílias de baixa renda.

Riscos para a sustentabilidade do crédito

Anderson Moraes, diretor comercial da BRZ Empreendimentos, avalia que o aumento dos limites é positivo, mas alerta que desviar recursos para o pagamento de dívidas pode drenar o capital estrutural do programa. Em sua base de clientes, aproximadamente 28% utilizam o saldo do fundo para compor o pagamento na aquisição do imóvel.

O desafio estrutural dos juros

Rodolfo Olivo, professor de economia e Finanças na FIA Business School, aponta que a dependência excessiva do FGTS é um reflexo direto do patamar elevado da taxa Selic. O especialista destaca que a escassez de fontes privadas de financiamento a custos acessíveis torna o fundo a alternativa praticamente única para o setor.

Necessidade de juros menores

Para reduzir a dependência estatal, Rodolfo Olivo estima que o país precisaria de uma taxa de juros estrutural entre 5% e 7% ao ano, permitindo a captação via debêntures. Atualmente, o custo do crédito privado torna o financiamento impraticável para a maioria dos consumidores, mantendo o setor imobiliário dependente das diretrizes do FGTS.

Fonte: Infomoney