Representante da Abrasel comenta impactos da PEC da 6x1 na economia. Representante da Abrasel comenta impactos da PEC da 6x1 na economia.

Abrasel critica aprovação da PEC da 6×1 na Câmara dos Deputados

Abrasel critica velocidade da PEC da 6×1 na Câmara. Presidente da associação aponta impacto de 20% nos custos operacionais e risco para pequenos negócios.

Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), classificou como “irresponsabilidade” a velocidade da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados. Para o representante, o tema exige um debate aprofundado devido ao impacto direto na vida dos brasileiros.

Abrasel aponta irresponsabilidade na votação da Câmara

Solmucci expressou forte descontentamento com o rito legislativo adotado pelos parlamentares. “Eu nunca vi tanta irresponsabilidade na minha vida na política brasileira, como aconteceu na Câmara”, declarou.

Segundo o presidente da Abrasel, houve uma pressão para que o assunto fosse votado em apenas 45 dias, sem a devida consulta à sociedade. Em contrapartida, ele elogiou a postura do senador Davi Alcolumbre no Senado Federal.

“Estamos muito animados com a postura do senador Davi Alcolumbre, que tem mostrado uma responsabilidade democrática muito grande”, afirmou Solmucci. O parlamentar tem defendido que o tema seja discutido com cautela e transparência sobre os custos envolvidos.

Setor de bares projeta aumento de 20% nos custos operacionais

O setor de bares e restaurantes projeta um aumento de 20% nos custos operacionais caso a PEC da 6×1 seja aprovada. Solmucci destacou a dificuldade estrutural de substituição de funções especializadas no mercado.

“É impossível pegar um garçom e ele virar cozinheiro”, exemplificou, ressaltando que a necessidade de contratar pessoal adicional para cobrir o dia de folga elevaria os gastos das empresas. O impacto, segundo ele, não se limitaria à alimentação, atingindo também condomínios e clínicas médicas.

O representante da Abrasel refutou a narrativa de que a redução da jornada não traria consequências econômicas, classificando-a como “falácia”. Como alternativa, ele defendeu a proposta do senador Rogerio Marinho, que sugere o trabalho por hora para maior flexibilidade.

Risco de desemprego e deslocamento em áreas periféricas

Solmucci alertou para um efeito colateral grave: a disputa desigual por mão de obra. Empresas maiores poderiam atrair profissionais de pequenos estabelecimentos em regiões periféricas, levando ao fechamento de negócios locais.

“Vai todo mundo trabalhar longe de casa. Duas horas de ônibus para ir e duas horas de ônibus para voltar”, afirmou. Para ele, a medida, da forma como foi debatida, pode piorar a qualidade de vida dos trabalhadores, em vez de promover o bem-estar esperado.

O debate sobre a jornada de trabalho segue como um dos pontos centrais na agenda econômica do país, enquanto o setor produtivo busca alternativas para mitigar os riscos de desemprego e inflação de serviços.

Fonte: Cnnbrasil