Representantes diplomáticos discutindo o conflito entre EUA e Irã. Representantes diplomáticos discutindo o conflito entre EUA e Irã.

Especialista aponta fragilidade em negociações entre EUA e Irã

Professor Alexandre Coelho aponta fragilidade em negociações entre EUA e Irã, destacando riscos com Netanyahu e o Hezbollah no conflito.

As negociações entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito bilateral não abordam os pontos centrais do impasse, como o programa nuclear iraniano. A análise é de Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

Segundo o especialista, um eventual acordo deve ser classificado apenas como um entendimento tático e extremamente instável. “Se esse acordo sair, será um acordo muito frágil, será o que a gente pode dizer até de um acordo tático”, afirmou o professor.

Para Coelho, o principal objetivo norte-americano nas conversas é evitar a continuidade do conflito armado imediato, sem solucionar disputas estruturais. O cenário atual reflete uma guerra de atrito persistente entre os dois países.

Ataques dos EUA visam controle do Estreito de Ormuz

Os recentes ataques dos Estados Unidos integraram uma estratégia de escalada seguida de pressão para que o Irã aceite condições mais favoráveis a Washington. O foco central do possível entendimento seria a desmobilização do Estreito de Ormuz para garantir a passagem de petroleiros.

“No mais, permanecemos no mesmo patamar, na mesma guerra de atrito para a qual esse conflito está caminhando”, avaliou. Coelho destacou que, ao declarar vitória, o Irã obteve um triunfo estratégico, mesmo com a clara superioridade militar norte-americana.

“Do ponto de vista militar, não há dúvidas que os Estados Unidos domina a questão militar”, reconheceu. Entretanto, ele ponderou que, estrategicamente, os americanos estão em desvantagem devido às disparidades nos sistemas políticos e seus impactos na política externa.

Netanyahu e Hezbollah como riscos ao acordo

O papel do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, surge como um fator de instabilidade. O professor aponta que o líder israelense se tornou um peso para os Estados Unidos devido a processos por corrupção e mandados internacionais.

“Os Estados Unidos, ou Donald Trump, me parece que se tornou refém do Netanyahu”, afirmou Coelho. O docente ressaltou que a própria base de apoio de Trump já não sustenta mais o primeiro-ministro, especialmente no contexto da guerra.

O Hezbollah, no sul do Líbano, também atua como variável capaz de comprometer qualquer entendimento. “Pode colocar tudo a perder desse frágil acordo, desse frágil memorando de entendimento”, concluiu, sugerindo atenção às próximas rodadas de negociações em Genebra.

Fonte: Cnnbrasil