Dados clínicos recentes revelam que 55% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células permanecem vivos e sem progressão da doença após sete anos de tratamento com o medicamento Lorbrena. O fármaco, desenvolvido pela Pfizer, atua como um inibidor de mutações tumorais associadas à resistência a outros tratamentos de ALK.
Em comparação direta, o estudo utilizou o Xalkori como referência, que apresentou apenas 3% de pacientes vivos sem avanço do câncer no mesmo período. A análise atualizada demonstrou que a mediana de sobrevida livre de progressão não foi atingida com o Lorbrena, apresentando uma razão de risco de 0,19, o que representa uma redução de 81% no risco de progressão da doença ou morte.
Os resultados completos foram apresentados no congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica de 2026, em Chicago, e publicados na revista Annals of Oncology. Jeff Legos, líder clínico de oncologia global da Pfizer, afirmou: “embora não seja possível tirar conclusões definitivas entre estudos, essa parece ser a maior mediana de tempo de sobrevida livre de progressão já observada em câncer de pulmão.”
Lorbrena controla metástases cerebrais em 94% dos casos
A pesquisa também concluiu que o Lorbrena preveniu e controlou metástases cerebrais em 94% no risco de progressão intra-canceriana após os primeiros 30 meses. Enquanto a mediana de tempo até a progressão no sistema nervoso central não foi atingida com o Lorbrena, o grupo tratado com Xalkori registrou 16,4 meses.
Quanto ao perfil de segurança, os eventos adversos mais frequentes incluíram inchaço, ganho de peso, neuropatia periférica, alterações de humor e hipertensão. Eventos de graus três e quatro ocorreram em 77% dos pacientes tratados com Lorbrena e 57% com Xalkori. A descontinuação permanente por efeitos colaterais atingiu 5% dos pacientes no grupo do Lorbrena.
Metodologia do estudo CROWN acompanha 296 pessoas
O CROWN é um estudo de Fase 3, randomizado e aberto, que acompanhou 296 pessoas com CPNPC avançado e ALK-positivo. Os participantes foram divididos para receber monoterapia com Lorbrena ou Xalkori. O desfecho principal foi o tempo livre de progressão baseado na Revisão Central Independente Cega.
No Brasil, o Lorbrena foi aprovado pela Anvisa em 2020 para pacientes que não respondiam a outros tratamentos, recebendo registro para primeira linha em 2021. Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil, destacou: “até o início da década passada, havia opções limitadas para pacientes com alteração no gene ALK, mas o avanço da medicina de precisão possibilitou o desenvolvimento de terapias-alvo que atuam diretamente nas células tumorais.”
Câncer de pulmão é a maior causa de morte por neoplasias
O câncer de pulmão é a principal causa de mortes por neoplasias no mundo. No Brasil, o INCA estima cerca de 32 mil novos casos anuais. O tipo CPNPC representa até 80% dos diagnósticos, sendo que tumores ALK-positivos ocorrem em até 5% dos casos. O avanço em tratamentos é vital, dado que até 40% dos pacientes com CPNPC avançado desenvolvem metástases em dois anos, impactando severamente a qualidade de vida.
Fonte: Cnnbrasil