Ibovespa acumula oito semanas de queda, sequência inédita desde o Plano Real em contexto de Finanças do Brasil Ibovespa acumula oito semanas de queda, sequência inédita desde o Plano Real em contexto de Finanças do Brasil

Ibovespa acumula oito semanas de queda, sequência inédita desde o Plano Real

Ibovespa acumula oito semanas de queda desde o Plano Real. O Ibovespa encerrou a semana com uma marca histórica negativa ao acumular oito semanas…

O Ibovespa encerrou a semana com uma marca histórica negativa ao acumular oito semanas consecutivas de queda. Este desempenho representa a maior sequência de perdas semanais desde a implementação do Plano Real, em 1994. No fechamento desta sexta-feira (5), o índice recuou 0,77%, atingindo 169.019 pontos, com uma perda acumulada de 2,74% nos últimos cinco dias.

Payroll americano e juros nos Estados Unidos

O movimento de aversão ao risco foi intensificado pela divulgação do relatório de emprego americano, o payroll, que revelou a criação de 172 mil vagas em maio. O resultado superou as expectativas do mercado e reforçou a resiliência da economia dos EUA.

O dado elevou as apostas de que o Federal Reserve (Fed) manterá ou elevará as taxas de juros, impactando o fluxo de ativos de risco globalmente. No Brasil, a curva de juros futuros reagiu prontamente a este cenário, com o mercado passando a precificar a manutenção da Selic em 14,50% ao ano na próxima reunião do Copom.

Saída de R$ 14,91 bilhões em capital estrangeiro

A bolsa brasileira enfrenta uma reversão significativa no fluxo de capital externo. Dados da B3 confirmam que, apenas no mês de maio, investidores estrangeiros retiraram R$ 14,91 bilhões do mercado local. Esta é a maior saída líquida registrada desde o início da pandemia em 2020.

O capital tem migrado para mercados asiáticos, como Coreia do Sul e Taiwan, em busca de exposição ao setor de tecnologia e inteligência artificial. Além da fuga de capital, o desempenho do Ibovespa foi prejudicado pela queda no preço de commodities, com o minério de ferro pressionado pelo aumento da oferta da Austrália e de Guiné, além da desvalorização do petróleo.

Taxação comercial e perda de valor de mercado

O cenário é agravado por tensões comerciais e incertezas políticas. O governo dos Estados Unidos anunciou a intenção de taxar produtos brasileiros em 25% após investigações sobre práticas comerciais. Internamente, investidores monitoram os desdobramentos que podem afetar a disputa eleitoral de outubro.

Desde as máximas atingidas em abril, as empresas listadas no Ibovespa sofreram uma erosão de R$ 778 bilhões em valor de mercado. As quedas mais expressivas na capitalização atingiram grandes companhias como Petrobras e Itaú.

Fonte: Globo