O mercado financeiro registrou um dia de forte aversão ao risco nesta sexta-feira (5), com o dólar encerrando a sessão cotado a R$ 5,1566, uma alta de 1,78%. O movimento marca o maior nível de fechamento da moeda americana desde 3 de abril, resultando em uma valorização acumulada de 2,26% ao longo da semana.
Relatório de empregos dos Estados Unidos supera expectativas
O principal motor da valorização da divisa foi a divulgação do relatório de empregos, conhecido como payroll, que superou as estimativas de mercado. A economia dos Estados Unidos criou 172 mil vagas em maio, volume significativamente superior aos 85 mil postos projetados por economistas.
O dado robusto reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode retomar o ciclo de alta de juros no segundo semestre. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de um aperto monetário na decisão de outubro subiu para 52,2%. Atualmente, a taxa de referência nos EUA está situada entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Deterioração fiscal interna pressiona o real
Além da pressão externa, o real sofreu com a deterioração da percepção de risco doméstico. Estrategistas do Wells Fargo apontaram que a expectativa de piora fiscal, decorrente de medidas recentes do governo, tem pesado sobre os ativos brasileiros. O banco alterou sua postura em relação ao câmbio, abandonando o viés favorável à moeda brasileira e adotando uma posição neutra.
Quedas nas bolsas de Nova York afetam semicondutores
O ambiente de aversão ao risco também atingiu as bolsas de Nova York, que registraram quedas expressivas, especialmente em empresas ligadas à inteligência artificial. O índice Nasdaq teve sua maior queda intradia desde abril do ano passado, pressionado por revisões de receita e pela realização de lucros em gigantes do setor de semicondutores, como a Nvidia e a Micron.
A valorização do dólar configurou um movimento global, afetando diversas moedas emergentes. No entanto, o real destacou-se com um dos piores desempenhos do dia, refletindo a combinação entre o cenário externo desafiador e as incertezas fiscais domésticas.
Fonte: Globo