O copiloto do voo AD2966 da companhia aérea Azul, que fazia a rota de Curitiba para Viracopos, em Campinas (SP), precisou de atendimento médico após apresentar sinais de convulsão na noite da última quarta-feira (3). A emergência médica obrigou a aeronave a realizar um pouso não programado.

O profissional recebeu atendimento médico ainda a bordo, prestado por um passageiro que era médico e estava no voo no momento da ocorrência. Em nota oficial, a Azul informou que o voo prosseguiu normalmente após o incidente e a aeronave pousou no aeroporto de Viracopos em segurança.
O Aeroporto Internacional de Viracopos detalhou que a pista de pouso foi reservada às 21h27 para o suporte das equipes de solo, permitindo que a aeronave tocasse o solo às 21h38 sem maiores intercorrências. Após o desembarque, o copiloto foi encaminhado ao ambulatório do aeroporto, onde foi constatado que ele estava estável, sendo liberado ainda na mesma noite.
95% dos pilotos relatam fadiga extrema na profissão
O episódio ocorre em um momento de debate sobre a saúde mental dos tripulantes brasileiros. Segundo pesquisa interna do sindicato da categoria realizada em 2024, cerca de 95% dos entrevistados relataram já ter sentido cansaço excessivo sem notificar as companhias aéreas. Além disso, 73% dos profissionais não se sentem confortáveis em realizar o reporte de fadiga, e 57,63% admitiram ter dormido em serviço por alguns segundos.
O levantamento ouviu 4.359 profissionais, entre pilotos e comissários, em um cenário de expansão do setor. O Brasil registrou o recorde de 130 milhões de passageiros em 2025, superando os níveis pré-pandemia. O setor aéreo enfrenta desafios similares aos observados em outros mercados, como a volatilidade vista no bitcoin, que exige atenção constante dos investidores.
MPT determina revisão das normas de fadiga junto à Anac
Diante do cenário de estresse crônico, o Ministério Público do Trabalho (MPT) despachou em maio deste ano um procedimento estabelecendo um prazo de 30 dias para que a Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) revise a norma sobre o controle de fadiga dos pilotos da aviação brasileira. O órgão também solicitou que os sindicatos patronais apresentem um posicionamento formal sobre o uso de substâncias psicoativas pelos tripulantes.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define o burnout como um resultado do estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. A síndrome é caracterizada por três dimensões principais: sensação de esgotamento ou exaustão, aumento do distanciamento mental em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.
Fonte: Cnnbrasil