Vereador de Francisco Alves foge de moto após ser questionado sobre compra de votos. Vereador de Francisco Alves foge de moto após ser questionado sobre compra de votos.

Vereador de Francisco Alves foge de moto após questionamento

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O ambiente na Câmara Municipal de Francisco Alves, no Paraná, tornou-se palco de fugas e silêncio após o escândalo de compra de votos que resultou na cassação de quase todos os parlamentares locais. Ao ser abordado pela equipe de reportagem sobre a distribuição de combustível em troca de apoio político, o vereador Devair Porto Santos, conhecido como “Cutuca”, evitou o confronto.

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Vereador Devair Porto Santos no município de Francisco Alves.

“Já venho aí. Vou em casa e já volto”, disse o parlamentar antes de colocar o capacete, subir em sua motocicleta e deixar o local em alta velocidade, ignorando a insistência da reportagem sobre as acusações. Devair é um dos sete dos nove vereadores eleitos no município que tiveram seus mandatos cassados pela Justiça Eleitoral em 2026, embora continuem no cargo devido a recursos judiciais pendentes.

Esquema de combustível movimentou 2.100 litros em setembro

A investigação conduzida pelo Ministério Público do Paraná revelou que a coligação “Pra Frente Francisco Alves” utilizou o poder econômico para cooptar eleitores. O esquema operava em um posto de combustíveis a 10 quilômetros do centro urbano, onde foram apreendidos vales para a retirada de cinco e dez litros de gasolina ou álcool. Estima-se que, apenas em setembro de 2024, o grupo tenha distribuído 2.100 litros de combustível.

Além das provas físicas, o Ministério Público obteve registros digitais no celular da candidata derrotada Maria Aparecida da Silva, a Cida, contendo áudios em que ela prometia “o negócio lá para vocês pegarem a gasolina”. A prática de corrupção eleitoral é um tema recorrente que impacta a economia local, similar a outros casos de corrupção eleitoral investigados pelo país.

Promotor alerta para prejuízo ao sistema democrático

Outros parlamentares também reagiram com hostilidade ao serem questionados. A vereadora Célia afirmou que só se manifestaria na presença de seu advogado, enquanto o vereador Miguel declarou não ter “nada a declarar”. O presidente da Câmara, Cioni, foi o único a conceder entrevista formal, negando qualquer participação no esquema, apesar da condenação.

Para o promotor Filipe Rocha e Silva, a gravidade do caso reside na substituição de propostas políticas pelo uso da rede econômica. “A partir do momento em que o nosso voto é trocado pelo abastecimento de um veículo, isso compromete todo um sistema e prejudica a própria vida futura do município”, alertou o promotor.

Vereador de Francisco Alves foge de entrevista
Vereador Devair Porto Santos foge de entrevista após questionamento sobre compra de votos.

Fonte: G1