Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, durante audiência no Senado. Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, durante audiência no Senado.

Andrei Rodrigues critica classificação de facções como terroristas

Andrei Rodrigues critica classificação de facções como terroristas. O diretor-geral da Polícia Federal , Andrei Rodrigues, classificou como um…

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou como um “equívoco” a decisão recente dos Estados Unidos de rotular as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Em entrevista nesta sexta-feira (5), o diretor defendeu que a estratégia de enfrentamento ao crime organizado deve ser distinta daquela aplicada ao terrorismo.

“As organizações terroristas têm motivos ideológicos, motivos religiosos, objetivos diferentes daquele do crime organizado que, em que pese aterrorizar as pessoas, busca o lucro”, afirmou Rodrigues. Segundo o diretor, a definição norte-americana não altera a firmeza ou o vigor das ações brasileiras contra o crime, uma vez que as motivações e os objetivos dos grupos são fundamentalmente distintos.

Cooperação internacional e o foco na descapitalização

Apesar da divergência sobre a classificação, o diretor da Polícia Federal enxerga na medida uma oportunidade para fortalecer a cooperação internacional. Rodrigues destacou que o foco do Brasil permanece na descapitalização das organizações e na prisão de lideranças, buscando ampliar o intercâmbio de informações com os Estados Unidos para o bloqueio do envio de armas e a localização de foragidos.

O tema da circulação de armamentos é central para as autoridades. Dados do Atlas da Violência 2026 indicam uma mudança no perfil das apreensões, com o aumento do confisco de pistolas semiautomáticas e armas de estilo militar. O tráfico internacional, muitas vezes envolvendo peças vindas do exterior, exige uma vigilância constante sobre a logística do crime organizado, tema que também aparece em investigações sobre esquemas de tráfico internacional.

Tensões diplomáticas e custos para investimentos

A relação entre Brasil e Estados Unidos enfrentou tensões recentes, especialmente após o episódio envolvendo a prisão e soltura do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, em Miami. O caso gerou um mal-estar diplomático que culminou na retirada de credenciais de agentes de ligação de ambos os países, sob o princípio da reciprocidade.

No campo econômico, a medida pode elevar as exigências de compliance para empresas com negócios nos Estados Unidos. Eduardo Mello, professor de política e Relações Internacionais, aponta que o aumento dos custos operacionais para comprovar a ausência de vínculos com grupos classificados como terroristas pode, segundo o analista, desestimular novos investimentos no Brasil.

Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, durante audiência no Senado.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, durante audiência no Senado.

Fonte: G1