Gráfico comparativo entre o sistema de pagamentos PIX e o Zelle. Gráfico comparativo entre o sistema de pagamentos PIX e o Zelle.

PIX e Zelle: entenda as diferenças entre os sistemas de pagamento

Entenda as diferenças técnicas e de gestão entre o PIX brasileiro e o sistema americano Zelle, comparando abrangência, custos e mecanismos de segurança.

O Zelle, sistema de pagamentos dos Estados Unidos, ganhou destaque em debates sobre modelos de transações financeiras após comparações com o PIX. A discussão ocorre em um momento de tensões comerciais, com o governo Donald Trump questionando o modelo brasileiro e alegando um suposto favorecimento da ferramenta nacional em detrimento de empresas americanas.

A principal distinção entre as duas tecnologias reside na natureza de sua gestão. O PIX é um sistema público, desenvolvido e regulado pelo Banco Central do Brasil desde 2020, que provê toda a infraestrutura tecnológica necessária para o país. Em contrapartida, o Zelle, lançado em 2017, é uma iniciativa privada gerida pela Early Warning Services, empresa controlada por grandes instituições financeiras como JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo.

Integração e alcance no mercado financeiro

Embora o Banco Central brasileiro estude a viabilidade de transferências internacionais, ambos os sistemas permanecem limitados a operações domésticas. Contudo, o grau de integração com o sistema financeiro varia significativamente. Enquanto o PIX possui interoperabilidade total com qualquer instituição autorizada, o Zelle opera de forma restrita às instituições participantes de sua rede.

Dados oficiais indicam que o Zelle está presente em mais de 2.400 aplicativos de bancos e cooperativas nos Estados Unidos. No Brasil, a abrangência do PIX é massiva, sendo utilizado por cerca de 80% da população, o que equivale a mais de 170 milhões de pessoas físicas, conforme informações do Banco Central.

Funcionalidades do sistema nacional e americano

O PIX apresenta uma versatilidade maior no dia a dia, sendo utilizado para transferências entre pessoas, pagamentos em estabelecimentos comerciais, transações entre empresas, recolhimento de receitas públicas e quitação de faturas. O Zelle, por sua vez, foca predominantemente em transferências entre indivíduos e pequenas empresas.

Quanto aos custos, o PIX é gratuito para pessoas físicas, enquanto o Zelle pode ter tarifas variáveis dependendo da instituição, embora a maioria dos bancos americanos não cobre taxas dos consumidores. Além disso, o PIX opera em tempo real, enquanto o Zelle pode levar alguns minutos para processar a disponibilidade do valor ao destinatário.

Segurança e mecanismos de estorno

A questão do cancelamento de transações também diferencia as plataformas. Segundo o site oficial do Zelle, “se o destinatário já estiver cadastrado no Zelle, o dinheiro será enviado diretamente para a conta bancária dele e não poderá ser cancelado”.

O Brasil conta com o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para auxiliar vítimas de fraude. Entretanto, o órgão ressalta que a ferramenta não garante o ressarcimento automático. “A recuperação depende da análise do caso e da existência do saldo na conta do recebedor ou de demais envolvidos na fraude”, explica o Banco Central. Em casos de erros operacionais, o PIX permite que o recebedor devolva o valor diretamente pelo aplicativo, enquanto o Código Penal brasileiro trata a apropriação indevida de valores enviados por engano.

Comparativo visual entre PIX e Zelle
Diferenças estruturais entre o PIX brasileiro e o Zelle americano.

Fonte: G1