A atriz Sharon Stone, 68, comparou a inteligência artificial a uma banda cover, incapaz de reproduzir a originalidade de seus criadores. Em entrevista à revista Variety, a estrela de “Instinto Selvagem” (1992) apontou as limitações que enxerga no uso da tecnologia para a produção artística.
“Eu não sou uma pessoa que usa essas coisas”, começou ela. “Sou uma pessoa que tem aqueles dicionários comentados em 20 volumes. Adoro pesquisar na internet, mas, para mim, a inteligência artificial é uma banda cover. É tudo o que ela consegue ser.”
A tecnologia reproduz referências sem criar novidades
Ao explicar sua comparação, Sharon argumentou que a tecnologia reproduz referências já existentes, mas não consegue criar algo novo. “Nunca será os Rolling Stones. Sempre será alguém cantando os Rolling Stones. Nunca será como eu em uma atuação. Será alguém fingindo atuar como eu”, declarou.
A artista acrescentou que a criatividade humana continua insubstituível devido à capacidade de gerar ideias originais. “Você nunca vai conseguir ter a minha ideia maluca do dia, que sempre será melhor porque será, adivinhe só… novidade. É isso que me torna interessante. Eu tenho ideias originais”, afirmou.
IA atua como enciclopédia tecnológica na organização de dados
Apesar das críticas, a veterana de Hollywood acredita que a IA pode desempenhar tarefas úteis, como organizar dados. “Ela é ótima de muitas formas. Essas ferramentas que reúnem informações e organizam tudo. É uma enciclopédia tecnológica. Sou totalmente a favor disso. Mas imaginar que ela vai estar à nossa frente… Nós queremos ver a nós mesmos. Não queremos ver um robô sendo nós. É bizarro”, opinou.
O debate sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade e na liberdade de expressão ganha força à medida que ferramentas digitais avançam sobre o mercado de trabalho criativo.
Riscos de ignorar impactos culturais e históricos na IA
Sharon lamentou que o entusiasmo em torno da inteligência artificial faça com que as pessoas ignorem seus impactos. “Não existe uma lógica muito clara nesse comportamento. Mas as pessoas querem desbravar uma nova fronteira. Há um entusiasmo nisso; é empolgante. Ao mesmo tempo, não é preciso avançar destruindo tudo o que veio antes, porque existem inúmeras coisas boas, belas, importantes, impactantes, educativas, interessantes e, no fim das contas, mais profundas, do ponto de vista cultural, histórico e sociopolítico, de que todos nós vamos precisar uns dos outros para obter. Não de uma caixa”, disparou.
Fonte: Cnnbrasil