A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enviou um relatório aos Estados integrantes nesta quinta-feira (4) indicando poucas alterações na avaliação do programa nuclear do Irã. O documento foi divulgado após três meses de conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, que declararam como objetivo impedir que Teerã desenvolva uma bomba atômica.
Este é o primeiro relatório oficial desde os ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o país no final de fevereiro. A AIEA reiterou a necessidade urgente de Teerã explicar o destino dos estoques de urânio enriquecido, que permanecem com paradeiro desconhecido desde a campanha de bombardeios do ano passado contra as principais instalações nucleares iranianas.
Objetivos militares e impasses nas negociações internacionais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, citaram repetidamente a destruição do programa nuclear como uma das metas centrais ao lançarem novos ataques no final de fevereiro. O estoque de urânio enriquecido tem sido um ponto de atrito nas negociações para encerrar a guerra, com Trump exigindo que o país abandone o material.
Os esforços diplomáticos recentes concentram-se em um acordo preliminar que deixaria as questões nucleares para uma data posterior. O relatório confidencial, visto antes da reunião trimestral do Conselho de Governadores da AIEA, composto por 35 nações, mostra poucas mudanças em relação aos dados de fevereiro.
Urgência na implementação do Tratado de Não Proliferação
“O Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica enfatizou ao Irã que é indispensável e urgente implementar efetivamente o Acordo de Salvaguardas do TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear) e que sua implementação não pode ser suspensa pelo Irã sob nenhuma circunstância”, destaca o documento.
A agência não conseguiu retomar o acesso aos locais nucleares atingidos por Israel e pelos Estados Unidos em junho passado. O Irã ainda não informou o destino de seus estoques de urânio altamente enriquecido e pouco enriquecido, incluindo material enriquecido a 60% de pureza, nível próximo aos 90% necessários para fins militares.
Preocupações com a perda de continuidade do conhecimento técnico
“A falta de acesso da Agência para verificar o material previamente declarado, durante quase um ano – o que já deveria ter sido feito há muito tempo, de acordo com as práticas padrão de salvaguardas – é motivo de preocupação em termos de proliferação e de conformidade com o Acordo de Salvaguardas do TNP”, afirmou o relatório.
A ausência de supervisão prolongada resulta na perda do que a agência denomina como “continuidade do conhecimento”. O relatório reforça que a situação nas instalações afetadas pelos ataques militares de junho precisa ser abordada com a máxima urgência para evitar riscos maiores à Segurança internacional.
Fonte: Cnnbrasil