Centro de controle de rede elétrica monitorando oscilações de tensão. Centro de controle de rede elétrica monitorando oscilações de tensão.

Apagão elétrico de 2025 revela falhas na integração renovável

O apagão de abril de 2025 na Espanha revelou falhas graves na integração de energia renovável, falta de inércia na rede e falhas no controle de tensão.

O apagão ocorrido em 28 de abril de 2025 no sistema elétrico espanhol poderia ter sido evitado com medidas de gestão mais rigorosas. Relatórios técnicos, incluindo análises do ICAI e da Red Elétrica de Espanha, apontam que a falha decorreu de limitações no controle de tensão diante da alta penetração de fontes renováveis intermitentes, que careciam de mecanismos de regulação adequados à época.

O que você precisa saber

  • O incidente foi causado por um desequilíbrio de potência reativa que gerou uma cascata de desconexões por sobretensão.
  • A falta de inércia no sistema, agravada pela entrada massiva deenergiasolar sem proteção, impediu a estabilização da rede.
  • Novas normas, como a Operação Reforzada e o Procedimento Operativo 7.4, foram implementadas tardiamente para corrigir essas vulnerabilidades.

A cronologia da falha no Centro de Controle

Às 11h04 da manhã do dia do incidente, o Centro de Controle da REE já registrava oscilações excessivas de tensão. Técnicos atribuíram o problema à entrada abrupta de energia fotovoltaica no mercado, que não permitia tempo hábil para a regulação da rede. Às 12h26, a operação atingiu seu limite crítico, com a falta de grupos geradores convencionais capazes de fornecer a inércia necessária para conter o colapso.

Fatores técnicos do colapso

O sistema enfrentou três problemas estruturais críticos. Primeiro, a integração rápida de renováveis ocorreu sem as devidas medidas de proteção, como compensadores síncronos. Segundo, centrais de geração tradicional, como gás e nuclear, desconectaram-se antes do esperado ao atingirem limites de segurança, agravando a sobretensão. Terceiro, a reserva de geração programada foi insuficiente para responder à emergência.

Mudanças na gestão do sistema elétrico

Após o apagão, o governo e os reguladores adotaram o novo Procedimento Operativo 7.4 e o Real Decreto 88/26. Essas medidas priorizam o uso de tecnologias síncronas e obrigam todos os geradores, incluindo parques renováveis, a participar ativamente do controle de tensão. Especialistas indicam que o custo político de reduzir a presença de renováveis no mix energético, visando preços baixos, foi o principal entrave para a adoção dessas salvaguardas antes do colapso.

Fonte: Cincodias