EUA descartam influência política em classificação de facções brasileiras como terroristas em contexto de Política Econômica EUA descartam influência política em classificação de facções brasileiras como terroristas em contexto de Política Econômica

EUA descartam influência política em classificação de facções brasileiras como terroristas

Governo dos EUA reafirma que classificação de PCC e CV como terroristas é técnica e nega influência de políticos brasileiros na decisão do Departamento.

O governo dos Estados Unidos reafirmou que a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras é uma medida técnica e improvável de ser revertida. A declaração foi feita pela porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, que negou qualquer influência de políticos brasileiros, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na determinação.

Processo de análise envolveu equipe de Donald Trump

Segundo Roberson, a inclusão das facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) é resultado de um processo de análise conduzido pela equipe do presidente Donald Trump ao longo de meses. A porta-voz enfatizou que a decisão foi tomada de forma independente e baseada na identificação de atividades dessas organizações em 12 estados americanos, o que representaria uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

A medida, que entra em vigor no dia 5 de junho, prevê restrições de visto, bloqueio de bens em território americano, proibição de transações financeiras e a criminalização do fornecimento de apoio material aos grupos. Roberson garantiu que as sanções são direcionadas exclusivamente às facções e não afetarão empresas ou cidadãos brasileiros sem vínculos com o crime organizado.

Debates sobre cooperação e soberania nacional

Enquanto o governo americano descarta ações militares ou sanções amplas contra o Brasil, a medida gera debates internos no país. O ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubbo, defendeu que o Itamaraty busque o diálogo diplomático para tentar reverter ou amenizar a classificação. Para Sarrubbo, a medida pode dificultar a cooperação policial transnacional e criar riscos à soberania nacional, caso haja incursões de inteligência estrangeira em território brasileiro.

Por outro lado, a porta-voz do Departamento de Estado reiterou que a cooperação em segurança deve continuar e que os Estados Unidos esperam que o Brasil adote medidas mais rigorosas para eliminar as facções, utilizando as leis nacionais. Roberson negou que a classificação tenha caráter militar ou que o governo brasileiro tenha sido notificado previamente sobre o anúncio.

Fonte: Estadão