Gráfico representando o aumento do comprometimento de renda das famílias brasileiras. Gráfico representando o aumento do comprometimento de renda das famílias brasileiras.

Comprometimento de renda das famílias atinge recorde de 29,7%

Comprometimento de renda das famílias atinge recorde de 29,7%. O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas atingiu o…

O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas atingiu o patamar recorde de **29,7%** em fevereiro, superando a marca de 29,5% registrada no mês anterior. Os dados, divulgados pelo Banco Central, refletem uma trajetória de alta contínua iniciada no início de 2024, quando o indicador estava em 26,6%.

O que você precisa saber

  • O comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7%, o maior nível desde o início da série histórica em 2005.
  • O endividamento das famílias também atingiu recorde, chegando a 49,9% da renda anual em fevereiro.
  • A pressão dosjuroselevados e o custo de vida dificultam a capacidade de pagamento dos brasileiros.

Endividamento em patamares recordes

Além do comprometimento mensal, o endividamento total das famílias, que considera a relação entre a dívida total e a renda anual, subiu para **49,9%** em fevereiro. O cenário preocupa o governo federal, que prepara um programa de renegociação de dívidas para pessoas físicas, conforme sinalizado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Jucelia Lisboa, economista da Siegen Consultoria, explica que o crescimento da renda não tem sido suficiente para absorver o encarecimento dos serviços financeiros. Segundo a especialista, a expansão do crédito concentrada no consumo sustenta a atividade econômica no curto prazo, mas torna as famílias mais vulneráveis a choques de renda e variações nos juros.

Custo do crédito e impacto da TLP

As estatísticas do Banco Central indicam que a taxa média de juros bancários subiu para **33,1% ao ano** em março. O movimento foi impulsionado principalmente pelas modalidades de crédito direcionado, afetadas pela elevação da Taxa de Longo Prazo (TLP) do BNDES.

Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, detalhou que a alta na TLP reflete o aumento do custo de captação, influenciado pela inflação acumulada. Enquanto isso, o saldo do crédito em 12 meses apresentou variação nominal de 9,7% em março. Para o economista Leonardo Costa, do ASA, o quadro atual permanece como o principal fator de vulnerabilidade para o ciclo de crédito no médio prazo, sem sinais claros de reversão.

Fonte: Globo