Os preços da maioria das categorias de café, como o tradicional e o gourmet, recuaram em abril na comparação com o mesmo mês de 2025. O movimento é impulsionado pela expectativa de crescimento da colheita, com exceção do descafeinado e do especial, que registraram altas superiores a 15%, segundo dados da Associação Brasileira da indústria de Café (Abic).
O preço médio do quilo do café tradicional e extraforte apresentou queda de 15,5% em abril ante o mesmo mês do ano anterior, custando R$ 55,34. Já o café superior recuou 12,6%, para R$ 70,37, e o gourmet teve baixa de 3,7%, atingindo R$ 106,66.
O mercado de cafés em cápsula também registrou recuo de 9,4% no preço médio do quilo, chegando a R$ 364,16. O drip coffee apresentou queda de 5,2%, custando R$ 238,38, enquanto o café solúvel manteve estabilidade com leve alta de 0,5%, para R$ 224,99.
Complexidade logística eleva preços do café descafeinado
Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Abic, explica que a alta no descafeinado ocorre porque grande parte das empresas brasileiras ainda não realiza o processo de descafeinação internamente. O procedimento é considerado complexo e frequentemente é realizado na Suíça, mantendo os custos de envio elevados.
“O café é enviado ao exterior para passar pelo processo de descafeinação e depois retorna ao Brasil“, detalha o diretor. Segundo ele, o país ainda conta com poucas indústrias operando em larga escala, como a Cocam, a Eisa e a DM Descafeinadores do Brasil.
Sobre o segmento premium, os preços permanecem pressionados. “Para obter um café com a pontuação necessária para ser classificado como ‘especial’, o produtor precisa gastar muito mais do que gastaria com o café comum. Essa diferença de custo no campo se reflete diretamente no preço final”, afirma Silva.
O diretor acrescenta que o café especial representa apenas 1% do consumo total no Brasil. “Por ser um mercado muito restrito e com uma diferença de preço considerável em relação ao café do dia a dia, ele ainda não atingiu um patamar de distribuição que permita a redução dos preços”, completa.
Consumo de café recupera volume com clima favorável em 2026
Embora os segmentos premium tenham particularidades, o café do dia a dia apresenta alívio após anos de alta provocada por eventos climáticos entre 2021 e 2024. “Em 2024, o preço da matéria-prima teve um aumento severo, ultrapassando 120%. Isso resultou em um repasse direto de mais de 73% para as prateleiras em 2025, o que assustou o consumidor”, relembra Silva.
A tendência de consumo começou a se inverter nos quatro primeiros meses deste ano, com alta de 2,44% no volume, superando a queda de 5% observada no mesmo período de 2025. “Até o momento, a produção de 2026 segue dentro do esperado, sem notícias de problemas climáticos graves. Se o clima permanecer favorável, a tendência é de maior crescimento no consumo e de manutenção da queda gradual dos preços ao longo do ano”, projeta o diretor.
Apesar do cenário positivo, o especialista pondera que um retorno aos patamares de 2020 é improvável a curto prazo. “Após quatro anos de dificuldades na produção, os estoques mundiais estão muito baixos e a disputa pelo produto aumentou devido ao crescimento do consumo global. Para que os preços caiam drasticamente, seriam necessárias duas ou três safras muito boas consecutivas para reequilibrar os estoques”, conclui o diretor da Abic.
Fonte: G1