A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (20), a indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na mesma sessão, o colegiado validou o nome de Igor Muniz para compor a diretoria da autarquia. As indicações seguem agora para votação no plenário principal da Casa.
Otto Lobo cumpre mandato complementar até 2027
Otto Lobo ocupa a presidência da CVM de forma interina desde julho de 2025, após a renúncia de João Pedro Nascimento. Caso sua nomeação seja confirmada pelo plenário, ele não cumprirá um mandato completo de cinco anos, mas sim um período complementar até julho de 2027.
Advogado com doutorado pela USP, Lobo ingressou na CVM em 2022, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a diretoria. Sua trajetória inclui ainda atuação como conselheiro titular do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) entre 2015 e 2018.
Divergências sobre o Banco Master e Ambipar
A indicação de Lobo tem sido alvo de divergências. Internamente, o Ministério da Fazenda manifestou contrariedade à escolha, embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha reforçado o apoio ao nome junto ao relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM). O mercado financeiro demonstrou resistência devido a decisões tomadas por Lobo durante sua gestão interina, especialmente em relação ao Banco Master e à empresa Ambipar.
Durante a sabatina, o indicado defendeu sua atuação técnica. Sobre o caso Ambipar — no qual seu voto de qualidade dispensou a empresa de realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), contrariando a área técnica da autarquia —, Lobo afirmou que não houve questionamentos formais de minoritários e que a decisão foi mal compreendida. Ele também garantiu que não cederá a pressões externas e defendeu a modernização do mercado de capitais, incluindo a implementação de sistemas de tokenização.
Perfil de Igor Muniz para a diretoria
Igor Muniz, indicado para a diretoria da CVM, possui histórico profissional como advogado da Petrobras. O profissional também atuou como conselheiro em órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ) e empresas do setor de energia.
Fonte: Globo