AGU pede ao STF inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria em contexto de Política Econômica AGU pede ao STF inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria em contexto de Política Econômica

AGU pede ao STF inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria

A AGU pede ao STF que declare a inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria, apontando vícios legislativos e o abrandamento desproporcional de penas penais.

A Advocacia-Geral da União (AGU) formalizou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que a chamada Lei da Dosimetria seja declarada inconstitucional. A manifestação, assinada em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sustenta que a norma, que reduz penas e flexibiliza regras de execução penal para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, apresenta vícios formais e de conteúdo.

Vícios apontados pela AGU no processo legislativo

No documento, a AGU aponta que o processo legislativo que resultou na derrubada do veto presidencial foi falho. Entre os pontos destacados estão a fragmentação indevida do veto pelo Congresso e a ausência de retorno do projeto à Câmara dos Deputados após alterações substanciais feitas pelo Senado, o que violaria o rito constitucional.

Quanto ao mérito, a Advocacia-Geral argumenta que a lei promove um abrandamento desproporcional das penas. O órgão critica especificamente a redução automática de sentenças para crimes cometidos por multidões, sob o argumento de que tais atos possuem maior periculosidade, e contesta a permissão para progressão de regime após o cumprimento de apenas 1/6 da pena, o que geraria desigualdade em relação a outros crimes comuns.

Congresso sustenta legitimidade da legislação

Em contrapartida, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados enviaram manifestações ao STF defendendo a constitucionalidade da legislação. As Casas legislativas sustentam que possuem competência para definir políticas criminais e que a norma não configura uma resposta ao Judiciário, mas uma escolha legislativa legítima.

O Senado argumentou que não existe na Constituição um mandamento de “maximização punitiva” e que o abrandamento de sanções não equivale à absolvição moral ou jurídica dos crimes. A Câmara, por sua vez, defendeu que o fatiamento do veto seguiu regras regimentais para evitar conflitos com a Lei Antifacção.

Prazo do STF para decisão sobre a Lei da Dosimetria

A Lei da Dosimetria, promulgada em 8 de maio, é alvo de quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade movidas por partidos políticos e pela Associação Brasileira de Imprensa. O ministro Alexandre de Moraes, relator das ações, suspendeu a eficácia da norma em caráter liminar logo após sua promulgação, impedindo sua aplicação imediata em processos como o do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O plenário do STF deve dar a palavra final sobre a validade da lei até o final de maio. O processo aguarda agora o parecer da Procuradoria-Geral da República.

Fonte: G1