O mercado imobiliário enfrenta um período de instabilidade acentuada com a nova escalada do euríbor. O indicador, que serve de referência para a maioria dos contratos de crédito habitação, encerrou o mês de abril em **2,747%**, superando os 2,565% registrados em março e distanciando-se significativamente dos 2,143% observados no mesmo período do ano anterior.
Euribor atinge patamar mais alto desde setembro de 2024
Este nível representa o valor mais elevado desde setembro de 2024. Para um empréstimo médio de 163.378 euros, com prazo de 25 anos e diferencial de um ponto percentual, a revisão de abril implica um aumento mensal de 53 euros. No acumulado anual, o sobrecusto para o mutuário atinge **636 euros**, pressionando o orçamento das famílias em um cenário de inflação persistente.
Tensões no Golfo Pérsico pressionam política do Banco Central
A trajetória do indicador está intrinsecamente ligada às tensões no Golfo Pérsico e às decisões de política monetária. Embora o Banco Central Europeu tenha mantido a taxa básica de juros em 2%, o mercado antecipa novos aumentos ao longo de 2026. O preço do barril de petróleo, cotado acima de 120 dólares, mantém a pressão sobre os custos de energia, conforme monitorado em análises sobre o impacto do Irã na gestão do Estreito de Hormuz.
Antonio Gallardo projeta persistência da alta dos juros
Antonio Gallardo, especialista econômico da Asufin, alerta que o cenário atual não é um choque temporário. “Se vão acumulando as semanas com preço de combustível caro, por isso já não falamos de um choque temporal, mas a longo prazo, e a volta à normalidade tardará mais”, explica o analista. Sobre a barreira psicológica dos 3%, Gallardo pontua: “Há uma barreira psicológica no 3% que custa rompê-la, mas a inflação será a que determinará as decisões do BCE”.

Fonte: Elpais