Em uma decisão inédita nos últimos 132 anos, o Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar final foi de **42 votos contrários** e 34 favoráveis, com uma abstenção, frustrando a articulação do Palácio do Planalto.
Alcolumbre prevê placar de derrota com oito votos de diferença
Momentos antes da divulgação oficial do resultado, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), previu com precisão a derrota do indicado. Em um diálogo captado pelo microfone da TV Senado enquanto conversava com o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), Alcolumbre afirmou: “Acho que ele vai perder por 8”. A assessoria do senador declarou que a fala foi apenas uma opinião baseada na experiência do parlamentar em votações.
Rejeição articula bastidores contra indicação de Messias
A rejeição de Messias é atribuída a uma combinação de fatores. Nos bastidores, Alcolumbre atuou ativamente contra o nome do governo, preferindo a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Além disso, ministros do Judiciário apontaram que o ofício enviado pelo ministro Gilmar Mendes à Procuradoria-Geral da República, sugerindo abuso de autoridade por parte do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do crime organizado, teria gerado um efeito negativo entre os senadores.
Após a votação, Jorge Messias afirmou à imprensa ter sido alvo de um processo de “desconstrução” de sua imagem ao longo dos últimos cinco meses, sugerindo a existência de articulações políticas contra sua nomeação. Integrantes do STF, que esperavam uma votação mais apertada, reagiram com surpresa ao resultado.
Fachin e Mendonça reagem ao resultado da votação no Senado
O presidente do STF, Edson Fachin, manifestou em nota o respeito da Corte às prerrogativas constitucionais do Senado e afirmou que aguardará os próximos passos para o preenchimento da vaga. Por outro lado, o ministro André Mendonça lamentou a decisão, classificando Messias como um profissional íntegro e qualificado para o cargo.
Fonte: Estadão