O preço do petróleo registrou forte alta nesta quarta-feira (29), com o barril do tipo Brent superando a marca de US$ 118. O valor representa o maior patamar desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. A valorização de **6,08%** no pregão reflete o ceticismo do mercado quanto a uma resolução diplomática para o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Estados Unidos mantêm bloqueio naval contra portos iranianos
O otimismo que havia surgido há duas semanas, após o anúncio de um cessar-fogo, foi substituído por incertezas globais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que manterá o bloqueio naval contra portos iranianos como estratégia para pressionar o país a retomar negociações sobre seu programa nuclear. Em declarações recentes, Trump afirmou que a medida visa impedir que o Irã obtenha armas nucleares.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) teria preparado planos para possíveis ataques caso as exigências americanas não sejam atendidas. Em resposta, autoridades iranianas, incluindo o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, criticaram o bloqueio naval. Ghalibaf classificou a medida como uma tentativa de desestabilizar o país e prometeu uma resposta às ações de Washington.
Tensão no Estreito de Ormuz gera choque na oferta de energia
A tensão no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o escoamento da commodity, tem gerado expectativas de um choque prolongado na oferta. Analistas revisaram suas projeções, prevendo uma normalização lenta do fluxo na região e mantendo uma visão altista para os preços nos próximos meses.
Enquanto o mercado de energia reage à crise, outros movimentos globais também influenciam o setor. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) enfrenta instabilidade após o anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos do cartel, a partir de 1º de maio. Analistas consideram que a saída enfraquece a influência da organização no mercado.
Apesar do cenário de tensão, houve um registro pontual de segurança marítima. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, informou que um navio japonês conseguiu atravessar o Estreito de Ormuz sem incidentes, o que foi visto como um sinal positivo em meio à crise.
Fonte: Globo