O Pentágono enfrenta um período de instabilidade interna marcado por demissões em série e um ambiente de vigilância constante sob a liderança do secretário de Defesa, Pete Hegseth. A gestão tem sido caracterizada por uma profunda desconfiança em relação aos quadros militares e civis, resultando em exigências de acordos de confidencialidade e uso frequente de testes de polígrafo para o acesso a informações operacionais.
O caso mais emblemático dessa tensão foi a demissão do general Randy George, chefe do Estado-Maior do Exército. Em abril, George tentou agendar uma reunião presencial com Hegseth para discutir prioridades estratégicas, como tecnologia e aprimoramento de equipamentos, após o secretário ter interferido diretamente na promoção de quatro coronéis. O encontro, contudo, nunca ocorreu; no dia seguinte à solicitação, o general foi desligado do cargo.
Demissões e interferência na hierarquia militar
Desde o início de seu mandato, Hegseth afastou mais de duas dezenas de oficiais superiores e interveio em promoções em todos os ramos das Forças Armadas. A desconfiança em relação a George, especificamente, era alimentada pelo fato de o general ter atuado como assessor do ex-secretário de Defesa Lloyd Austin durante o governo Biden, o que gerou ceticismo entre aliados próximos de Donald Trump.
“Tudo o que fazíamos diariamente era calculado com base em: ‘Isso vai manter o chefe empregado ou vai resultar na sua demissão?’”, relatou um oficial do Pentágono. A cultura de medo permeou diversos escritórios, transformando decisões administrativas em exercícios de sobrevivência profissional dentro da estrutura do Pentágono.
Defesa da gestão e alinhamento político
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, rebateu as críticas sobre o ambiente de trabalho. “As fontes anônimas citadas pela CNN são pessoas de fora com uma clara agenda política para difamar o Departamento e minar a liderança da Secretária Hegseth por meio de ataques partidários”, afirmou em comunicado oficial.
Parnell acrescentou que a organização passa por um processo de transição necessário. “Toda organização bem-sucedida passa por mudanças de liderança, e agradecemos àqueles que partiram por seus serviços prestados ao país. Medidas decisivas foram tomadas para alinhar a liderança militar com as prioridades do Presidente, do Secretário e de nossos combatentes.”

Fonte: Cnnbrasil