Presidente da Câmara, Hugo Motta, articula votação de projetos para destravar pauta legislativa. Presidente da Câmara, Hugo Motta, articula votação de projetos para destravar pauta legislativa.

Governo usa urgência de projeto para pressionar Senado por 6×1

Câmara dos Deputados define votação do projeto sobre o fim da escala 6×1 para destravar pauta legislativa e aumentar pressão política sobre o Senado.

A decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto de lei do governo sobre o fim da escala 6×1 para a próxima semana, busca resolver o travamento da pauta na Casa e transferir a pressão política para o Senado. Aliados do governo apostam na aprovação da matéria para forçar o avanço da discussão na Casa Alta.

O texto, que atualmente tramita em regime de urgência, impede a votação de outras propostas na Câmara e, caso seja aprovado, pode bloquear as deliberações dos senadores no segundo semestre. A proposta do governo estabelece o fim da escala 6×1 e limita a jornada de trabalho a 40 horas semanais, replicando o conteúdo da PEC aprovada pelos deputados no final de maio.

Regime de urgência trava pauta e pressiona Alcolumbre

Como o projeto foi apresentado em 14 de abril e não foi votado no prazo estipulado, o plenário da Câmara ficou impedido de deliberar sobre outros temas, exceto PECs, projetos de decreto legislativo e requerimentos de urgência. O presidente da Casa marcou a votação para terça-feira (16) com o objetivo de destravar os trabalhos legislativos.

Motta tentou negociar a retirada da urgência com o Planalto, mas o governo manteve a estratégia para forçar o Senado a acelerar a tramitação da PEC que está parada. Caso o projeto avance, ele carregará o regime de urgência para o Senado, obrigando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar o texto em até 45 dias sob risco de travar as atividades do plenário.

A pressão sobre Alcolumbre ocorre porque o senador travou a PEC do fim da 6×1 e não sinalizou celeridade para a votação neste semestre. O senador pediu “tempo” para a análise e reforçou que o Senado não seria uma Casa “carimbadora” dos projetos que vieram da Câmara. A discussão sobre a jornada de trabalho levanta debates sobre o fim da escala 6×1 e a capacidade produtiva nacional.

Relatoria e foco em novas pautas econômicas

Hugo Motta definiu o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator do projeto. Prates foi o responsável pela PEC na comissão especial e estruturou o texto que prevê a redução da jornada para 40 horas semanais com ao menos dois dias de descanso, sem redução salarial. Por ser idêntico à PEC e exigir quórum menor para aprovação, o projeto não deve enfrentar resistência.

Com a liberação da pauta, a Câmara pretende focar em três temas prioritários: a regulamentação da Inteligência Artificial, o reajuste no teto de faturamento para os MEIs e o projeto de refinanciamento de dívidas rurais. A estratégia visa garantir que pautas econômicas avancem mesmo com a proximidade das eleições.

Hugo Motta articula votação na Câmara
Presidente da Câmara, Hugo Motta, articula votação de projetos para destravar pauta legislativa.

Fonte: Cnnbrasil