A agência de classificação de risco Fitch Ratings reafirmou nesta terça-feira (16) a nota de crédito soberano do Brasil em “BB”, com perspectiva estável. Apesar da manutenção, a instituição destacou que a deterioração das contas públicas e a incerteza fiscal permanecem como os principais entraves para uma eventual melhora na avaliação do país.

Com essa nota, o Brasil permanece dois degraus abaixo do grau de investimento, classificação atribuída a nações com menor risco de inadimplência. A agência reconhece que o país possui pontos fortes, como o tamanho e a diversificação de sua economia, além da solidez das contas externas, o elevado volume de reservas internacionais e a flexibilidade cambial, elementos que auxiliam na absorção de choques externos.
Dívida pública e rigidez orçamentária limitam nota do Brasil
Por outro lado, a Fitch aponta que a trajetória crescente da dívida pública, a rigidez orçamentária, o baixo potencial de crescimento e os desafios de governança continuam a limitar a nota do Brasil. “A incerteza fiscal continua sendo um risco macroeconômico mais amplo”, afirmou a agência em relatório divulgado nesta terça-feira.
A agência projeta que o déficit do setor público geral aumente de 8,1% do PIB em 2025 para 8,6% em 2026. Esse patamar é significativamente superior à mediana de 3,5% observada entre países com classificação semelhante. A dívida bruta do setor público, que estava em 76,3% do PIB em 2024, subiu para 78,6% em 2025 e a expectativa é que supere 80% em 2026, impulsionada pelo elevado custo dos juros e pelos déficits persistentes.
Perspectivas eleitorais e reformas estruturais
Segundo a Fitch, as perspectivas de reformas estruturais capazes de lidar com os desequilíbrios fiscais só devem ganhar clareza após as eleições presidenciais de outubro. A agência prevê uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Para a agência, um eventual novo mandato de Lula poderia enfrentar dificuldades em promover reformas de despesas públicas. Já um governo liderado por Flávio Bolsonaro teria foco em corte de impostos, eficiência de gastos e privatizações, embora a implementação dessas medidas seja considerada altamente incerta.
Crescimento econômico e mercado de trabalho
No cenário macroeconômico, a agência prevê um crescimento de 2,1% para a economia brasileira em 2026, após uma expansão de 2,3% em 2025. A atividade econômica deve continuar sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, pela alta dos salários reais e pelos efeitos da reforma do Imposto de Renda aprovada no ano passado.
Fonte: Cnnbrasil