O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, Romeu Zema, retomou as críticas públicas à relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em entrevista ao canal Brasil Paralelo, Zema questionou a postura do parlamentar diante das investigações envolvendo o setor financeiro.
“Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido do Brasil? Eu acho que é difícil alguém querer aplaudir quem esteve, quem conviveu, com uma pessoa como ele”, declarou Zema. O ex-governador já havia classificado anteriormente como “imperdoável” o pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro ao banqueiro para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Embora tenha chegado a tratar o episódio como uma “página virada” em maio, Zema reforçou agora que mantém uma postura de cautela. O político destacou que, apesar de residir na mesma cidade que Vorcaro, nunca manteve encontros com o banqueiro. “Eu moro na mesma cidade dele, Belo Horizonte. Onde ele nasceu, onde tem esposa, filho, fez colégio. Adivinha quantas vezes eu encontrei com ele na vida? Quantas vezes ele pediu audiência comigo? Zero”, afirmou.
Zema classifica Bolsa Família como formador de “imprestáveis”
Ao abordar a política de transferência de renda, o ex-governador criticou o funcionamento do Bolsa Família. Segundo Zema, o programa desestimula a busca por postos de trabalho formais por parte de milhões de homens que preferem a manutenção do benefício.
“Eles querem continuar recebendo o Bolsa Família e fazendo fico de acordo com a vontade deles, de acordo com a conveniência. Nós estamos formando uma geração de imprestáveis com esses homens fazendo isso”, afirmou o pré-candidato. A declaração reflete a posição do político sobre a necessidade de reformas estruturais no mercado de trabalho brasileiro.
Preocupações com liberdade de expressão e judiciário
Zema também manifestou apreensão quanto ao cenário de liberdade de expressão no país, citando episódios recentes envolvendo decisões judiciais. O ex-governador mencionou a suspensão de uma pesquisa eleitoral que indicava queda de Flávio Bolsonaro e as investigações que enfrenta por críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal.
“Pela ação judicial que recebi, eu percebi que estão querendo me cercear”, disse Zema. “Eu fico muito preocupado. Estamos vendo uma tentativa crescente de calar que discorda, utilizando o poder judicial como um poder censurante, mas eu vou continuar”, concluiu o político sobre os desafios que enfrenta no atual ambiente institucional.
Fonte: G1